"E o tempo se vai, mas algo eu sempre guardarei: o Teu amor que um dia eu encontrei!"

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Dor.

Sou a incapaz, que não sabe agir!
Existe no mundo uma agonia tão profunda que me quebra todos os sentidos, torno-me absurdamente perplexa e levantar a cabeça é sustentar o peso do mundo. Não há dor em mim, há a dor do mundo. Há a dor dos fracos, perdidos, resignados à vida sem nenhuma rebeldia. O que eu tenho é o discurso dos que se deixaram perder: perder a fé, a esperança e o amor próprio.
Tenho a falta de medo de quem se deixou consumir pela frieza glacial do mundo e já consegue repetir sem emoção: eu quero mesmo é o inferno; eu quero mesmo a minha dor!
Eu tenho a tremedeira da dor do inferno do mundo que pode a qualquer momento arrastar-me até seu fundo de lama e apagar minha consciência e liberdade para em troca encher-me de um discurso infame de fim de mundo, de desassossego, de encantamento sexual profundo.

Mas eu tenho também, pulsando em minhas veias, o grito do sangue da cruz que é intensamente emocionado e cheio de esperança, mas que na minha perplexidade nem posso dá-lo com graça aos sofredores; tenho uma esperança viva que abre meus olhos até doerem e faz com que eu me sinta sempre estrangeira, mas na minha desilusão por tanto enxergar, nem posso mostrá-la aos aflitos com verdade.
Há um amor que queima fundo e que me diminui inteira por fazer-me consciente de que sozinha sou incapaz de curar até mesmo as pequenas feridas que me cercam, afligem e fazem com que eu sinta que a dor do outro é tão minha ...