... Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido.
- Vinicius de Moraes
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
olhinhos
Foi hoje que os olhinhos pareciam procurar
Um pouquinho só de afeto
Um meio sorriso tímido
Uma meia lua certa
Um punhado de cuidado
Ser luz, ser pecado
Um tom calmo
Quieto
Ambíguo
Exagerado ...
São esses olhos,
todos dela,
procurando todo dia
a fresta de som e cores
O sempre, o tudo
Os outros olhinhos
(...)
Os dissabores.
Um pouquinho só de afeto
Um meio sorriso tímido
Uma meia lua certa
Um punhado de cuidado
Ser luz, ser pecado
Um tom calmo
Quieto
Ambíguo
Exagerado ...
São esses olhos,
todos dela,
procurando todo dia
a fresta de som e cores
O sempre, o tudo
Os outros olhinhos
(...)
Os dissabores.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
predestinada
Eu? Só posso ter sido predestinação, mas não sei se acredito ...
O primeiro dente aos 3 meses, os primeiros passos aos 11 meses, as primeiras palavras com um ano e (...), a gestação de minha mãe, tão cedo! Mas sinto que ainda hoje essa predestinação da pressa acompanha-me. E eu corro, não percebo, mas tenho pressa, em tudo, e não justifico, aliás, passo a culpa: isso foi de berço!
Por isso não me culpo quando sou tão saudosista, é mais outra predestinação: a primeira saudade foi de minha mãe com pouco mais de um mês, e em seguida de meu pai, com pouco mais de um ano, e passou-se tanto tempo, senti falta de minha avó, e meu avô, e fui sentindo, e nem sei quando foi que eu chorei: se com um mês por saudade de minha mãe ou se foi hoje com saudade de ir além!
Então assim predestinada eu vou seguindo, atenta a tudo que me persegue porque não sei se sou ainda eu ou se aquela criança de ventre, que age e diz "eu quero tudo" que para e sente as dores do mundo ...
O primeiro dente aos 3 meses, os primeiros passos aos 11 meses, as primeiras palavras com um ano e (...), a gestação de minha mãe, tão cedo! Mas sinto que ainda hoje essa predestinação da pressa acompanha-me. E eu corro, não percebo, mas tenho pressa, em tudo, e não justifico, aliás, passo a culpa: isso foi de berço!
Por isso não me culpo quando sou tão saudosista, é mais outra predestinação: a primeira saudade foi de minha mãe com pouco mais de um mês, e em seguida de meu pai, com pouco mais de um ano, e passou-se tanto tempo, senti falta de minha avó, e meu avô, e fui sentindo, e nem sei quando foi que eu chorei: se com um mês por saudade de minha mãe ou se foi hoje com saudade de ir além!
Então assim predestinada eu vou seguindo, atenta a tudo que me persegue porque não sei se sou ainda eu ou se aquela criança de ventre, que age e diz "eu quero tudo" que para e sente as dores do mundo ...
sábado, 18 de dezembro de 2010
partiu
Encarei a todos eles de perto, e senti-me pequena ao sentir palpitar dentro de mim o mesmo sentimento de amor-piedade que tive por todos os Capitães, pois sim, seriam eles os Capitães, não da areia, do bairro. Seriam todos destinados à vida pobre, excluídos de nascimento por mães que, como a dele, soube dar amor e carinho mas, quem sabe, tanto lhe faltou em sonhos.
Seria aquele, o Pedro Bala, astuto e carinhoso, acalentando o chorador, sentido, arrependido e por que não vingador do pobre amigo? Aquele, que aos 18 anos, tão cedo, não vivido, deixou lições ou ódios, de mudanças ou vinganças, eternas, como na coroa, no coração de quem ele ainda vive.
Senti-me pequena, e ainda sinto, e tão mimada, excluída dos Boas Noites, dos assovios inocentes ou maldosos que tiram-me o sangue da face e sinto-me agora, aqui, ainda, a dor de todos os excluídos, deles, tão jovens, chorosos, tristes fadados por desatino àquela vida sem destino (...)
Morreu, aos 18 anos, Fernando, o filho de uma boa mãe, teimoso, excluído - por opção, ou não, culpado, em breve um memorando eterno.
Seria aquele, o Pedro Bala, astuto e carinhoso, acalentando o chorador, sentido, arrependido e por que não vingador do pobre amigo? Aquele, que aos 18 anos, tão cedo, não vivido, deixou lições ou ódios, de mudanças ou vinganças, eternas, como na coroa, no coração de quem ele ainda vive.
Senti-me pequena, e ainda sinto, e tão mimada, excluída dos Boas Noites, dos assovios inocentes ou maldosos que tiram-me o sangue da face e sinto-me agora, aqui, ainda, a dor de todos os excluídos, deles, tão jovens, chorosos, tristes fadados por desatino àquela vida sem destino (...)
Morreu, aos 18 anos, Fernando, o filho de uma boa mãe, teimoso, excluído - por opção, ou não, culpado, em breve um memorando eterno.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
idade.
Disse a ela mesma que estaria na cama antes das 23, que dormiria ... porém ao mirar a janela por horas, sentir saudade de metade do coração, faltou-lhe sono. Faltou-lhe em todos estes dias e estava perdida, em busca de, querendo entender e nada sabia.
Em sua cabeça de adulta, lembrou durante todo o dia que quando tinha 10 anos achava o mundo cor de rosa, sonhava que aos 18 tudo teria acontecido, e hoje com quase 20 a vida havia sim mudado mas que sua cabeça de adulta, lá no fundo, tudo o que mais queria era ainda ser criança.
Aos 10 ela nao sabia que um dia sentiria falta de nao saber de nada, de nao sentir medo do futuro, de nao ter a sensatez de reconhecer seus erros e apreciar com amor todos os dias tão longos pois tornaram-se tao curtos e ... ser criança, como eu, que era boba, meio triste, isolada, criadora de romances de 6 páginas e era eu, como hoje, adulta criança, sonhando com sei lá o quê, desejando ter e nao ter.
Em sua cabeça de adulta, lembrou durante todo o dia que quando tinha 10 anos achava o mundo cor de rosa, sonhava que aos 18 tudo teria acontecido, e hoje com quase 20 a vida havia sim mudado mas que sua cabeça de adulta, lá no fundo, tudo o que mais queria era ainda ser criança.
Aos 10 ela nao sabia que um dia sentiria falta de nao saber de nada, de nao sentir medo do futuro, de nao ter a sensatez de reconhecer seus erros e apreciar com amor todos os dias tão longos pois tornaram-se tao curtos e ... ser criança, como eu, que era boba, meio triste, isolada, criadora de romances de 6 páginas e era eu, como hoje, adulta criança, sonhando com sei lá o quê, desejando ter e nao ter.
domingo, 5 de dezembro de 2010
aqui tem rede
Dormir na rede, hoje, só porque sinto-me só, só hoje
Porque lá a brisa é suave, o vento canta por toda a noite
e por aqui não, sinto-me só, só hoje!
Pois nesta cama cabem corações e hoje não vieram
Mas lá na rede sou só eu, e outros nao encaixam
ela mexe-se, nem que tentem
por isso hoje quero a rede.
A paisagem é boa, e ela mexe-se, como eu
... por dentro!
Porque lá a brisa é suave, o vento canta por toda a noite
e por aqui não, sinto-me só, só hoje!
Pois nesta cama cabem corações e hoje não vieram
Mas lá na rede sou só eu, e outros nao encaixam
ela mexe-se, nem que tentem
por isso hoje quero a rede.
A paisagem é boa, e ela mexe-se, como eu
... por dentro!
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
essa sou eu - nao fixa
O último dia do mundo, hoje. Tudo devidamente acentuado, fora de ordem, eu sei, consumindo-me de dentro para fora, dessa agonia sem palavras, perturbância desmedida, desse choro não mais seguro,chovido e dessa mágoa não mais gritada, reprimida.
Hoje não sorrirei nem aos bons, o meu pesar, só hoje. Qualquer palavra soa de chuva, os mais simples gestos soam de dor e não me acho. Como chama-se mesmo aquela coisinha de sangue, a menorzinha? A pressão é menor, a velocidade e todo o resto ... CAPILAR! E quando lembro uma alegria, e se esqueço, perco-me, por algo assim, pequeno como eu.
Um não saber do futuro, todos os desejos incertos, toda essa dormência medonha e perco-me, novamente, em palavras, em pensamentos, em desejos e não me encontro. E essas manchas nas unhas, e essa pele que tanto enfada-me. Que dores bobas, que medos tolos, todas as bobagens que hoje me matam!
Hoje não sorrirei nem aos bons, o meu pesar, só hoje. Qualquer palavra soa de chuva, os mais simples gestos soam de dor e não me acho. Como chama-se mesmo aquela coisinha de sangue, a menorzinha? A pressão é menor, a velocidade e todo o resto ... CAPILAR! E quando lembro uma alegria, e se esqueço, perco-me, por algo assim, pequeno como eu.
Um não saber do futuro, todos os desejos incertos, toda essa dormência medonha e perco-me, novamente, em palavras, em pensamentos, em desejos e não me encontro. E essas manchas nas unhas, e essa pele que tanto enfada-me. Que dores bobas, que medos tolos, todas as bobagens que hoje me matam!
domingo, 21 de novembro de 2010
Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...
Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Vinicius de Moraes
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...
Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Vinicius de Moraes
sábado, 20 de novembro de 2010
deixei ir
Hoje estou meio vazia, sem uma grande parte de mim. Nao um vazio triste, nem uma parte alegre fugida, não, algo que não se descreve, não se encontram palavras para e, sempre acaba no "eu não sei".
Ando vivendo desse jeito sem jeito, ao vento, porém cheia de querer estar perto, de ouvir e falar, falar muito, e gosto de estar aqui, comigo, para nao falar com a voz, e nao sentir com o coração e nem chorar com os olhos, e nem chover.
Devo ter encontrado o eu perdido, aquele que não tinha gosto por muito, nao sabia querer ouvir, e sentir, e amar, e realmente não queria. Sofro por agora querer demais, e tentar demais, e sentir demais, e chorar só um pouco, e só as vezes e todos os dias depender sempre mais, e estar tão perto, tão perto, e abraçar, cuidar, cada segundo, e mais, e mais. Ontem soltei a cadeira, espero que meu pé não faça falta, que nem tão cedo desabe, porque eu amo.
Ando vivendo desse jeito sem jeito, ao vento, porém cheia de querer estar perto, de ouvir e falar, falar muito, e gosto de estar aqui, comigo, para nao falar com a voz, e nao sentir com o coração e nem chorar com os olhos, e nem chover.
Devo ter encontrado o eu perdido, aquele que não tinha gosto por muito, nao sabia querer ouvir, e sentir, e amar, e realmente não queria. Sofro por agora querer demais, e tentar demais, e sentir demais, e chorar só um pouco, e só as vezes e todos os dias depender sempre mais, e estar tão perto, tão perto, e abraçar, cuidar, cada segundo, e mais, e mais. Ontem soltei a cadeira, espero que meu pé não faça falta, que nem tão cedo desabe, porque eu amo.
sábado, 13 de novembro de 2010
o meu sentido em viver
Quando joguei ao mar meus desamores,
Corri pra longe de olhos gigantes,
Fui contra o vento da evolução,
Achei-me em meio ao descontrole,
Abri a janela ao levantar-me,
Ouvi o som que aliviou-me,
Ri do hoje, ri do ontem,
Ri do nada, ri da vida,
Senti o vento, desejei a brisa,
Fui do tédio a histeria, em segundos
Deitei no chão, senti temores,
Olhei em volta, percebi o mundo
Olhei pra dentro e senti forte
Que eu tinha um coração,
e pude perceber o dos outros
... Então meus dias fizeram sentido!
Corri pra longe de olhos gigantes,
Fui contra o vento da evolução,
Achei-me em meio ao descontrole,
Abri a janela ao levantar-me,
Ouvi o som que aliviou-me,
Ri do hoje, ri do ontem,
Ri do nada, ri da vida,
Senti o vento, desejei a brisa,
Fui do tédio a histeria, em segundos
Deitei no chão, senti temores,
Olhei em volta, percebi o mundo
Olhei pra dentro e senti forte
Que eu tinha um coração,
e pude perceber o dos outros
... Então meus dias fizeram sentido!
E pensar que a vida passa.
E os anos, as horas, os minutos, os segundos, e vai passando.
E lembrar que eu também tinha pressa, e montei blocos, e comprei cimento e no meio do tempo eu misturei as medidas das horas, do sol, dos minutos e da lua e , a obra pareceu atrasar-se.
Ah, mas ainda saber que o tempo é meu amigo, e, se no meio da curva errei, nao foi por excessos ou falta, foi por sentir e querer envolver-me, enquanto assisto o espetáculo dos dias, com alguem, com alguns, com todos e faço sorrisos, e sinto amores.
E nesse meu medo, nessa tao grande incerteza, nessa hora tao apressada, esse minuto me encara e sussurra: Corra!, e eu tento não ter pressa, e fazer dos meus dias a Valsa, que nao compus, mas desejei. E entender, e nao ser teórica: "Não importa se realizei, o importante é que sonhei!", antes de tudo, o importante, com certeza: AMEI.
E os anos, as horas, os minutos, os segundos, e vai passando.
E lembrar que eu também tinha pressa, e montei blocos, e comprei cimento e no meio do tempo eu misturei as medidas das horas, do sol, dos minutos e da lua e , a obra pareceu atrasar-se.
Ah, mas ainda saber que o tempo é meu amigo, e, se no meio da curva errei, nao foi por excessos ou falta, foi por sentir e querer envolver-me, enquanto assisto o espetáculo dos dias, com alguem, com alguns, com todos e faço sorrisos, e sinto amores.
E nesse meu medo, nessa tao grande incerteza, nessa hora tao apressada, esse minuto me encara e sussurra: Corra!, e eu tento não ter pressa, e fazer dos meus dias a Valsa, que nao compus, mas desejei. E entender, e nao ser teórica: "Não importa se realizei, o importante é que sonhei!", antes de tudo, o importante, com certeza: AMEI.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Saudade
Saudade: do azul, do cinza, do verde
Aquele ali que moldou-me à minha janela
Daquele dia mal amanhecido, assistido
... tão amado!
Da doce voz, daquela ... aquela que encantou-me a alma
Bem aqui, ao lado, sentida, desejada
... esquecida
Das batidas normais, não sopradas, sussurradas
... tão queridas!
E volte, e chame, e ame, e diga:
- Senti saudade, saudade!
Aquele ali que moldou-me à minha janela
Daquele dia mal amanhecido, assistido
... tão amado!
Da doce voz, daquela ... aquela que encantou-me a alma
Bem aqui, ao lado, sentida, desejada
... esquecida
Das batidas normais, não sopradas, sussurradas
... tão queridas!
E volte, e chame, e ame, e diga:
- Senti saudade, saudade!
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
desabafo.
Preciso saber, amanhã: Portugues, Filosofia, Historia, Geografia & Biologia. Intimizar com todas elas e amá-las por no máximo 3 minutos cada. Ah, pavoroso vestibular!
busca
Quero ser impessoal, hoje
pois a pessoalidade me consome
Esse olhar nos olhos, esse cuidado de falar
Essa dor de querer entender
Esse desespero de me culpar
Essa lamúria, cantiga antiga
que eu disse querer matar
eu nem sei se ainda aguento
eu só sei não judiar
Aquilo que já foi passado
O aqui que eu nao soube amar
E nessa busca, nesse medo mudado
eu busco em mim, ali, lá
... no fundo só quero repousar!
pois a pessoalidade me consome
Esse olhar nos olhos, esse cuidado de falar
Essa dor de querer entender
Esse desespero de me culpar
Essa lamúria, cantiga antiga
que eu disse querer matar
eu nem sei se ainda aguento
eu só sei não judiar
Aquilo que já foi passado
O aqui que eu nao soube amar
E nessa busca, nesse medo mudado
eu busco em mim, ali, lá
... no fundo só quero repousar!
domingo, 31 de outubro de 2010
pensamento branco
As palavras aparecem munidas de espadas
em qualquer pensamento branco
em qualquer momento sem Lua
em qualquer ambiente festivo
Aparecem tortas e adulteradas
E tira-nos a serenidade da face
A gargalhada muda cotidiana
O riso de canto de boca que agrada sem carecer muito
E traz a nós umas lágrimas implícitas
Um desassossego íntimo e peculiar
Expõe um grito que sempre deu voltas em nossas cabeças
Derrubam os muros que permitiam a fé no SIM
Esgana a alegria que ainda vivia a rodear-me:
- Ah, mas ainda assim sou amada!
E foram palavras que tiraram meus pés do chão
Daquele jeito pouco sério, pouco amigo, pouco coração
Da minha carência e deprimência de sentir-me sempre na contra mão
Palavras ...
levaram ontem minha velha ilusão, aquele velho espírito de falso-amor.
em qualquer pensamento branco
em qualquer momento sem Lua
em qualquer ambiente festivo
Aparecem tortas e adulteradas
E tira-nos a serenidade da face
A gargalhada muda cotidiana
O riso de canto de boca que agrada sem carecer muito
E traz a nós umas lágrimas implícitas
Um desassossego íntimo e peculiar
Expõe um grito que sempre deu voltas em nossas cabeças
Derrubam os muros que permitiam a fé no SIM
Esgana a alegria que ainda vivia a rodear-me:
- Ah, mas ainda assim sou amada!
E foram palavras que tiraram meus pés do chão
Daquele jeito pouco sério, pouco amigo, pouco coração
Da minha carência e deprimência de sentir-me sempre na contra mão
Palavras ...
levaram ontem minha velha ilusão, aquele velho espírito de falso-amor.
sábado, 30 de outubro de 2010
Ausencia
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
- VINICIUS DE MORAES
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
- VINICIUS DE MORAES
sábado, 23 de outubro de 2010
Suportar.
Onde estão minhas palavras, todas elas, não sei dizer.
Não sei.
Se o poetizar fosse meu, eternizaria em decassílabos e chamaria de "Coração do menino/ Menino do coração - Do meu".
Porém faltam-me palavras.
Palavras?
É.
E, hoje, roubam-me a alma.
Mas que vontade de olhá-lo nos olhos
E como na mais bela poesia
Deixar dizer o que sinto quando não sou egoísta:
- Suportemo-nos!
E suportar sua insegurança e essa minha insensatez
E suportando seu ceticismo e a minha ilucidez
E amando sua tristeza e minha louca escassez
E suportar seu pessimismo e essa minha morbidez
Mas eu não sei ...
E quando o olho com amor, é o decassílabo já citado
E se por horas emudeço, empobreço de vocabulário.
Não sei.
Eterniza-se aqui em gestos se o nosso assunto é tão vago.
Eu te gostei desse jeito, sem jeito, e te levo aqui, no peito
... por não saber nos suportar.
Não sei.
Se o poetizar fosse meu, eternizaria em decassílabos e chamaria de "Coração do menino/ Menino do coração - Do meu".
Porém faltam-me palavras.
Palavras?
É.
E, hoje, roubam-me a alma.
Mas que vontade de olhá-lo nos olhos
E como na mais bela poesia
Deixar dizer o que sinto quando não sou egoísta:
- Suportemo-nos!
E suportar sua insegurança e essa minha insensatez
E suportando seu ceticismo e a minha ilucidez
E amando sua tristeza e minha louca escassez
E suportar seu pessimismo e essa minha morbidez
Mas eu não sei ...
E quando o olho com amor, é o decassílabo já citado
E se por horas emudeço, empobreço de vocabulário.
Não sei.
Eterniza-se aqui em gestos se o nosso assunto é tão vago.
Eu te gostei desse jeito, sem jeito, e te levo aqui, no peito
... por não saber nos suportar.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
O apanhador de desperdícios
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água, pedra, sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos,
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
- Manoel de Barros
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água, pedra, sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos,
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
- Manoel de Barros
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Média de preço da felicidade.
Hoje li uma reportagem no Estadão que dizia "Felicidade custa 11 mil por mês" e anda junto com fatores como: ter religião, NÃO ser jovem, ter filhos e curso superior.
Resolvo tudo rapidamente: ano que vem entro numa faculdade, faço um filho, viro crente-católica-muçulmana-budista-macumbeira-espírita-judia, arrumo um cargo de status em qualquer dessas religiões e ganho meus 11 mil. Claro, não posso deixar de envelhecer bastante (os jovens não tendem à felicidade!).
Pronto. Agora a reportagem fez sentido!
... "Felicidade custa 11 mil por mês"
"Custa"?
Resolvo tudo rapidamente: ano que vem entro numa faculdade, faço um filho, viro crente-católica-muçulmana-budista-macumbeira-espírita-judia, arrumo um cargo de status em qualquer dessas religiões e ganho meus 11 mil. Claro, não posso deixar de envelhecer bastante (os jovens não tendem à felicidade!).
Pronto. Agora a reportagem fez sentido!
... "Felicidade custa 11 mil por mês"
"Custa"?
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
"All the way down"
Uma saudade malvada bateu bem forte, dilacerou e a deixou de corpo e alma azul. Beijou fotografias, cantou a cena e embalou-se em lembranças. Viveu a noite como todo um dia, naquele repetir de sessões mudas e olhares cansados. E acabando, levantaram-se mudos e seguiram para o nunca, para deixar a solidão mais cúmplice. E a mente entrelaçou-se nesse passado de presente, presente tão passado e nunca mais se conheceram, ou olharam-se ou quiseram-se. A saudade deu espaço a vaga canção e fez doer e doeu. Sendo nada, sendo o tédio, desligou a trilha do dia e seguiu ouvindo aquela que a fez ser criança de novo. Musiquei aquele pouco amado.
sábado, 21 de agosto de 2010
Olhos
Tristes.
Encharcados de não viver
Soluçantes mudos espelhando a alma
Os de vidro, de carne, de lágrimas e espírito.
Medrosos
Vazios de esconderijo
Apavorados de pouco saber
Ansiosos alheios de um futuro desconhecido
Os de sangue, de água, de neve e silício.
Nossos olhos - atrevidos, distintos, implícitos.
Encharcados de não viver
Soluçantes mudos espelhando a alma
Os de vidro, de carne, de lágrimas e espírito.
Medrosos
Vazios de esconderijo
Apavorados de pouco saber
Ansiosos alheios de um futuro desconhecido
Os de sangue, de água, de neve e silício.
Nossos olhos - atrevidos, distintos, implícitos.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
Nostalgia
Foi naquele dia frio que optou em estar ligeiramente só, ligeiramente sentida, ligeiramente nostálgica e intensamente conformada.
Optou em não se enxergar no espelho com medo de um estranho envelhecimento e, não quis um banho quente, nem frio, nem banho, não quis deixar o edredom.
Naquele dia nevado sem neve, ouviu o pulsar de todos os músculos e de poucos órgãos. Sentiu a dor de ter crescido, a pena de tanto devanear e a loucura de nunca entender. Ah, naquele dia tão oculto, ouviu a música da alma, o tilintar de todas as dores e desejou saber viver.
Levantou-se, mediu-se e riu:
- Acho que ainda não sei viver!
Optou em não se enxergar no espelho com medo de um estranho envelhecimento e, não quis um banho quente, nem frio, nem banho, não quis deixar o edredom.
Naquele dia nevado sem neve, ouviu o pulsar de todos os músculos e de poucos órgãos. Sentiu a dor de ter crescido, a pena de tanto devanear e a loucura de nunca entender. Ah, naquele dia tão oculto, ouviu a música da alma, o tilintar de todas as dores e desejou saber viver.
Levantou-se, mediu-se e riu:
- Acho que ainda não sei viver!
sábado, 14 de agosto de 2010
punhado.
Tenho um pequeno punhado de coisas que gostaria de escrever, mas os termos são desconexos e eu sei que nunca aprendo, mesmo podendo:
Esqueci de tomar o anti alérgico e acordei a noite preocupada com a alergia do dia seguinte. Pela manhã uns espirros, mais psicológicos do que propriamente alérgicos. Esse, o medo mais tolo da semana!
Recebi a notícia do falecimento do pai de uma grande amiga e não mandei mensagem nem telefonei nem disse nada, por não saber consolar ou dizer pesares ou proclamar. Esse, o fato menos humano da semana!
Entristeci-me sorrateiramente por diversas vezes e em seguida, alegrei-me estupendamente. Isso, a coisa mais comum da semana!
Cheguei na ponta dos pés para assustar os cachorros e em seguida vê-los correndo eufóricos com minha chegada. Esse, o fato de todas as semanas!
E ... sonhei, familiarizei, amigavelmente amei e por horas pensei - Sou apenas mais alguém, dispersa em mim, cheia de todos os iguais, cheia da rotina besta de todos os "alguéns".
E esqueci de dizer o da rotina do mundo: - Todos os dias eu chorei!
Esqueci de tomar o anti alérgico e acordei a noite preocupada com a alergia do dia seguinte. Pela manhã uns espirros, mais psicológicos do que propriamente alérgicos. Esse, o medo mais tolo da semana!
Recebi a notícia do falecimento do pai de uma grande amiga e não mandei mensagem nem telefonei nem disse nada, por não saber consolar ou dizer pesares ou proclamar. Esse, o fato menos humano da semana!
Entristeci-me sorrateiramente por diversas vezes e em seguida, alegrei-me estupendamente. Isso, a coisa mais comum da semana!
Cheguei na ponta dos pés para assustar os cachorros e em seguida vê-los correndo eufóricos com minha chegada. Esse, o fato de todas as semanas!
E ... sonhei, familiarizei, amigavelmente amei e por horas pensei - Sou apenas mais alguém, dispersa em mim, cheia de todos os iguais, cheia da rotina besta de todos os "alguéns".
E esqueci de dizer o da rotina do mundo: - Todos os dias eu chorei!
terça-feira, 10 de agosto de 2010
O pequeno, do contraste.
Ah, achei-me aqui, logo sorrindo
Transbordante de bem querer
S de 2, e 2 de s
Meu jeito torpe de viver
Sorriso longo, sem conquista ou luxo
Abraço breve, de cúmplice distante
Me alegre a alma, me conte dias
Me seja -na- amigo, assim, de relance
(...)
Explico e falo nesse meu modo
Pois já nem sei o outro qual era
Creio no amor e em grandes olhos
Na amizade, vida mais bela.
Transbordante de bem querer
S de 2, e 2 de s
Meu jeito torpe de viver
Sorriso longo, sem conquista ou luxo
Abraço breve, de cúmplice distante
Me alegre a alma, me conte dias
Me seja -na- amigo, assim, de relance
(...)
Explico e falo nesse meu modo
Pois já nem sei o outro qual era
Creio no amor e em grandes olhos
Na amizade, vida mais bela.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
surpresa ...!
Eu não quero que vá
e nem permito que fique
Então ... espere por mim, só por hoje
Pois logo eu me decido
e sorrio, e vivo e sonho.
e nem permito que fique
Então ... espere por mim, só por hoje
Pois logo eu me decido
e sorrio, e vivo e sonho.
domingo, 11 de julho de 2010
Vontade
Inconstante a todo instante, nego-me a assumir o querer.
Pouco sei sobre meu eu, sobre aqui dentro, sobre tempo ... sobre você.
Foi o motivo de perder-me: perder o chão, perder uns sonhos e cessar uma canção.
Perdi.
Perdi um lado, o que pulsava.
Perdi sentidos, os que amavam.
Perdi uns desejos, que me guiavam
e perdi a mim, que nao era nada.
Então o Ontem, encontrei.
Na mesma roupa, na mesma voz, no mesmo rosto, a outra vez.
De alma sóbria, sem muito saber, cheia de não chorar, repleta de bem querer.
Outro pedido mas sem canção, outro sentido, sem oração, o novo amigo, um coração.
A busca eterna, sem receio.
Outro dia sinto, outro dia não mais creio.
De nada sei, tao inconstante, nada me restou ...
acaba assim, plural de tudo
não me completo, não sei dizer
morro no som,
vivo em você.
Pouco sei sobre meu eu, sobre aqui dentro, sobre tempo ... sobre você.
Foi o motivo de perder-me: perder o chão, perder uns sonhos e cessar uma canção.
Perdi.
Perdi um lado, o que pulsava.
Perdi sentidos, os que amavam.
Perdi uns desejos, que me guiavam
e perdi a mim, que nao era nada.
Então o Ontem, encontrei.
Na mesma roupa, na mesma voz, no mesmo rosto, a outra vez.
De alma sóbria, sem muito saber, cheia de não chorar, repleta de bem querer.
Outro pedido mas sem canção, outro sentido, sem oração, o novo amigo, um coração.
A busca eterna, sem receio.
Outro dia sinto, outro dia não mais creio.
De nada sei, tao inconstante, nada me restou ...
acaba assim, plural de tudo
não me completo, não sei dizer
morro no som,
vivo em você.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
endecha
Sonhar um pouco
Aqui, comigo
Com ele, dele
Telefonar, sorrir e devanear
Fazer morrer a endecha
Deixar viver o tilintar
Meu querer
Meu CANTAR
Te danço eu
Me vem beijar
Aqui, comigo
Com ele, dele
Telefonar, sorrir e devanear
Fazer morrer a endecha
Deixar viver o tilintar
Meu querer
Meu CANTAR
Te danço eu
Me vem beijar
domingo, 4 de julho de 2010
Estava tão frio, eu tanto tremia que resolvi levantar para fechar por repetidas vezes as cortinas já fechadas
- porque era assim que eu me sentia.
Era para estar quente, não sei por que lado penetrava aquela brisa gelada.
Coloquei as pantufas.
Pobre analogia, mas com os pés quentes eu pude dormir em paz - assim, o meu dia!
- porque era assim que eu me sentia.
Era para estar quente, não sei por que lado penetrava aquela brisa gelada.
Coloquei as pantufas.
Pobre analogia, mas com os pés quentes eu pude dormir em paz - assim, o meu dia!
sábado, 3 de julho de 2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
domingo, 27 de junho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
Esconderijo
Procuro a solidão
Como o ar procura o chão
Como a chuva só desmancha
Pensamento sem razão
Procuro esconderijo
Encontro um novo abrigo
Como a arte do seu jeito
E tudo faz sentido
Calma pra contar nos dedos
Beijo pra ficar aqui
Teto para desabar
Você para construir
- ANa Cañas
Como o ar procura o chão
Como a chuva só desmancha
Pensamento sem razão
Procuro esconderijo
Encontro um novo abrigo
Como a arte do seu jeito
E tudo faz sentido
Calma pra contar nos dedos
Beijo pra ficar aqui
Teto para desabar
Você para construir
- ANa Cañas
sexta-feira, 25 de junho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
Ser Gi
Virei as costas e segurei a feição de choro: Não quero. Não quero nem o choro nem a confissão e nem o conto. Mas ela sempre está lá, aqui, e ouve e não sabe que às vezes já desabei.
Ser Gi: amar e respeitar!
Ser Gi: amar e respeitar!
sábado, 19 de junho de 2010
Socorro!
Quando num segundo eu descobri ...
Que jamais fará sentido, não adianta buscar palavras,
não existe o barulho, não há sequer uma cor.
NÃO há céu, não encontro estrelas, não encontro razão e ao menos sei sobre amor.
Ai, o meu dia matou o sol e meu céu despedaçou.
Em três ceguei-me, avessei-me e de repente nada sei:
SOCORRO!
Quando olhei para mim ...
Senti que não me conhecia, meus olhos já se cansavam, minha alma não mais existia
Então tentei fazer viver, não entendo: por que entender?
Eu quero tudo,
eu faço nada,
penso veloz e paro tudo aqui:
ALMA!
Eu tentei, alma, sentir, falar, descrever, ser, tentei ser.
Menos que duas, apenas uma, eu, aqui, dentro, falada, muda, sentida.
Não mais falo, não expresso, não descrevo, desalmei!
Eu só sei sentir para dentro:
SOCORRO!
Que jamais fará sentido, não adianta buscar palavras,
não existe o barulho, não há sequer uma cor.
NÃO há céu, não encontro estrelas, não encontro razão e ao menos sei sobre amor.
Ai, o meu dia matou o sol e meu céu despedaçou.
Em três ceguei-me, avessei-me e de repente nada sei:
SOCORRO!
Quando olhei para mim ...
Senti que não me conhecia, meus olhos já se cansavam, minha alma não mais existia
Então tentei fazer viver, não entendo: por que entender?
Eu quero tudo,
eu faço nada,
penso veloz e paro tudo aqui:
ALMA!
Eu tentei, alma, sentir, falar, descrever, ser, tentei ser.
Menos que duas, apenas uma, eu, aqui, dentro, falada, muda, sentida.
Não mais falo, não expresso, não descrevo, desalmei!
Eu só sei sentir para dentro:
SOCORRO!
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Hoje eu queria ter um livro
Qualquer um, porém novo.
Uma história diferente, nem que eu lesse 3 páginas e adormecesse.
Hoje, eu queria esquecer o mundo, o meu, o tempo, o ar, o frio e inventar um algo novo.
Hoje eu queria não ter ninguém, estar bem longe e enxergar-me.
Quem sabe talvez perceber quem é que eu sou.
Mas hoje eu não tenho um livro e falta-me então criatividade para criar um novo ar. Hoje, eu não quero inventar problema, hoje eu só quero descansar.
Uma história diferente, nem que eu lesse 3 páginas e adormecesse.
Hoje, eu queria esquecer o mundo, o meu, o tempo, o ar, o frio e inventar um algo novo.
Hoje eu queria não ter ninguém, estar bem longe e enxergar-me.
Quem sabe talvez perceber quem é que eu sou.
Mas hoje eu não tenho um livro e falta-me então criatividade para criar um novo ar. Hoje, eu não quero inventar problema, hoje eu só quero descansar.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
A um ausente
(...)
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança
- CARLOS DRUMOND
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança
- CARLOS DRUMOND
sábado, 12 de junho de 2010
"Querido diário"
... porque eu vivo nesse século digital.
Meninas pequenas, todas que conheci, tinham seu pequeno diário, a quem chamavam de "querido". Eu não fujo à regra, sou então a mais comum: tive vários, dos 9 aos 15 anos. No meu 1º querido diário (ganhei de uma professora da 3ª série no dia das crianças) tinha tudo sobre meu "primeiro amor platônico": Leonardo.
Ainda guardo esse diário, como todos os outros, mas ele é mais especial, não o amor, o DIÁRIO!
Com uma letra de quem não sabia muito e queria tudo , eu escrevia o título centralizado: "Meu querido diário". Pulava uma linha e escrevia de forma corrida que havia encontrado, então, o Leonardo no corredor, na rua, no bebedouro e que ele me amava muito e era recíproco (claro que "recíproco" não está no diário).
Enfim, eu pouco sei desse tal fulano. Mas a lembrança desse meu 1º diário veio me trazer à mente, ou tentar, fazer-me lembrar em que momento da vida eu me desinteressei de escrever assim, uma coisa boba, para o meu querido diário.
Coisa que ninguém pudesse ler, coisas que eu não conversaria sozinha na frente do espelho, coisas que não fazem rima, são assim hoje e agora, coisas que eu não apagaria do diário, da folha ou duma página, coisas que o coração não apaga mas a mente esquece.
Eu não quero apagar, eu só quero escrever corrido ... e não me envergonhar, e contar todos os detalhes, e anos depois ler e perceber que era pequena, mas os sentimentos eram nobres e o amor sempre a razão ... A razão do aqui e do agora!
Do futuro nada sei, não escrevi e nem posso...
Meninas pequenas, todas que conheci, tinham seu pequeno diário, a quem chamavam de "querido". Eu não fujo à regra, sou então a mais comum: tive vários, dos 9 aos 15 anos. No meu 1º querido diário (ganhei de uma professora da 3ª série no dia das crianças) tinha tudo sobre meu "primeiro amor platônico": Leonardo.
Ainda guardo esse diário, como todos os outros, mas ele é mais especial, não o amor, o DIÁRIO!
Com uma letra de quem não sabia muito e queria tudo , eu escrevia o título centralizado: "Meu querido diário". Pulava uma linha e escrevia de forma corrida que havia encontrado, então, o Leonardo no corredor, na rua, no bebedouro e que ele me amava muito e era recíproco (claro que "recíproco" não está no diário).
Enfim, eu pouco sei desse tal fulano. Mas a lembrança desse meu 1º diário veio me trazer à mente, ou tentar, fazer-me lembrar em que momento da vida eu me desinteressei de escrever assim, uma coisa boba, para o meu querido diário.
Coisa que ninguém pudesse ler, coisas que eu não conversaria sozinha na frente do espelho, coisas que não fazem rima, são assim hoje e agora, coisas que eu não apagaria do diário, da folha ou duma página, coisas que o coração não apaga mas a mente esquece.
Eu não quero apagar, eu só quero escrever corrido ... e não me envergonhar, e contar todos os detalhes, e anos depois ler e perceber que era pequena, mas os sentimentos eram nobres e o amor sempre a razão ... A razão do aqui e do agora!
Do futuro nada sei, não escrevi e nem posso...
quinta-feira, 10 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
CINZA
To meio assim, meio Lispector.
"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada"
"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada"
segunda-feira, 31 de maio de 2010
P/ dentro
É que eu penso para dentro e falo para dentro e casualmente eu choro, para dentro, e o fora pouco tem a ver com tudo isso.
E torno-me novamente preocupada com as coisas de dentro e os desejos de dentro e as lágrimas de dentro, porque o fora muito vive e pouco sente.
Motiva-me muito sentir o de dentro, olhar de dentro e tocar ... para dentro, porque o fora consume os ossos e pouco sente, e muito fala.
Já fiz chorar, já fiz correr, já fiz sentir. Já fiz o fora e poucas vezes o dentro, e pouco e vago eu me recordo de alegrias pasmas que de fora nasceram!
Mas eu muito falo e pouco sinto,
eu pouco faço, eu pouco vivo,
Eu quero o de dentro mas erro muito!
Eu penso o certo mas me confundo ...
Estou só fora, quero só o de dentro!
E torno-me novamente preocupada com as coisas de dentro e os desejos de dentro e as lágrimas de dentro, porque o fora muito vive e pouco sente.
Motiva-me muito sentir o de dentro, olhar de dentro e tocar ... para dentro, porque o fora consume os ossos e pouco sente, e muito fala.
Já fiz chorar, já fiz correr, já fiz sentir. Já fiz o fora e poucas vezes o dentro, e pouco e vago eu me recordo de alegrias pasmas que de fora nasceram!
Mas eu muito falo e pouco sinto,
eu pouco faço, eu pouco vivo,
Eu quero o de dentro mas erro muito!
Eu penso o certo mas me confundo ...
Estou só fora, quero só o de dentro!
sábado, 29 de maio de 2010
É.
"O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece."
-Charles Bukowski
-Charles Bukowski
segunda-feira, 3 de maio de 2010
V
de vazio.
Vazia de dentro para fora e o inverso. Vazia em todos os ângulos e pensamento.
Não lembro o segundo que me esvaziei e deixei-me vazia de mim.
Esvaziar-me poderia ser magnífico, mas esqueci de preencher-me novamente.
Vazia, vazia, dá eco, mas não há nenhuma voz, não aqui!
Vazia de dentro para fora e o inverso. Vazia em todos os ângulos e pensamento.
Não lembro o segundo que me esvaziei e deixei-me vazia de mim.
Esvaziar-me poderia ser magnífico, mas esqueci de preencher-me novamente.
Vazia, vazia, dá eco, mas não há nenhuma voz, não aqui!
sexta-feira, 30 de abril de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
sábado, 24 de abril de 2010

"Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja."
Clarice Lispector
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Saudade

"Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
(...)
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu"
Chico Buarque - Eu te amo
Canção de Outono
Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles
que não se levantarão...
Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles
que não se levantarão...
Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.
CLARICE -
CLARICE -
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
CLARICE LISPECTOR
CLARICE LISPECTOR
21.
Feriado, e aqui dentro, meio oco, falta algo que preenche e dá sentido.
Não que bata por alguém:
Infla!
E é por amor.
Não que bata por alguém:
Infla!
E é por amor.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Cativar.
Andando, o principezinho encontrou um jardim cheio de rosas. Contemplou-as...eram todas iguais à sua flor.
E deitado na relva, ele chorou...
E foi então que apareceu a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Que quer dizer "cativar" ?
- É uma coisa muito esquecida. Significa criar laços...Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. Eu não tenho necessidade de ti e tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, teremos necessidade um do outro. Serás para mim, único no mundo. E eu serei para ti, única no mundo. Minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. O teu passo me chamará para fora da toca, como se fosse música. A gente só conhece bem as coisas que cativou.
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal- entendidos. Cada dia te sentarás mais perto...Se tu vens por exemplo, às quatro da tarde, desde às três, eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar...a gente corre o risco de chorar um pouco, quando se deixou cativar. E acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua, é a única no mundo. É simples, o segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. Foi o tempo que perdeste com tua rosa, que fez tua rosa tão importante. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
" Os homens do teu planeta, disse o principezinho, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim...e nunca encontram o que procuram...E no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho d'água...Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração..."
(Antoine De Saint- Exupéry)
E deitado na relva, ele chorou...
E foi então que apareceu a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Que quer dizer "cativar" ?
- É uma coisa muito esquecida. Significa criar laços...Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. Eu não tenho necessidade de ti e tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, teremos necessidade um do outro. Serás para mim, único no mundo. E eu serei para ti, única no mundo. Minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. O teu passo me chamará para fora da toca, como se fosse música. A gente só conhece bem as coisas que cativou.
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal- entendidos. Cada dia te sentarás mais perto...Se tu vens por exemplo, às quatro da tarde, desde às três, eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar...a gente corre o risco de chorar um pouco, quando se deixou cativar. E acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua, é a única no mundo. É simples, o segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. Foi o tempo que perdeste com tua rosa, que fez tua rosa tão importante. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
" Os homens do teu planeta, disse o principezinho, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim...e nunca encontram o que procuram...E no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho d'água...Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração..."
(Antoine De Saint- Exupéry)
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Soneto de Fidelidade
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
VINICIUS DE MORAES
domingo, 18 de abril de 2010
Serenata

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permita que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,e a dor é de origem divina.
Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo
-CECÍLIA MEIRELES
"Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve..."
sábado, 17 de abril de 2010
Sinto/Quero/Espero
E novamente é como se eu voltasse ao início, àquele estado de transe que eu acredito em todas as palavras, que sorrio enquanto penso e sinto o cheiro, enquanto quero. E, é como se um turbilhão de sentimentos tomassem-me a alma e não mais me deixasse só.
É eu novamente andar saltitante e fazer suposições existenciais , e desejar sempre, em todo segundo, mais!
Eu penso, quero, sinto, desejo e sinto, sinto, e estou aqui, sentindo, porque eu quero e não me tenho o controle. - (...)
Mas meu coração aperta e as lágrimas me vem à face e novamente volto ao fim, e sinto o aperto da saudade. E, eu só penso, penso e quero, e bolo planos, e o venero, e o desejo e mais ainda, o espero. - Eu TE ESPERO.
É eu novamente andar saltitante e fazer suposições existenciais , e desejar sempre, em todo segundo, mais!
Eu penso, quero, sinto, desejo e sinto, sinto, e estou aqui, sentindo, porque eu quero e não me tenho o controle. - (...)
Mas meu coração aperta e as lágrimas me vem à face e novamente volto ao fim, e sinto o aperto da saudade. E, eu só penso, penso e quero, e bolo planos, e o venero, e o desejo e mais ainda, o espero. - Eu TE ESPERO.
sábado, 3 de abril de 2010
"V"

______________________________________
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata!
Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Drummond -
domingo, 28 de março de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
Praia
quinta-feira, 18 de março de 2010
Coelet

Antes que não tenha rima
A imensa lida
Antes que saias a perguntar nas avenidas:
- Cadê lua, cadê a tua luz amiga?
- Cadê, cadê você querida
Antes que venha aquela atrevida
Tomar tudo debalde
Antes que seja tarde
Antes que venham venham aqueles dias
Em que digas:
- Não tenho mais prazer na vida!
A vida furta-cor
Furta sabor
E rouba melodia
Antes que se parta
O copó de ouro
E se despedace o cântaro
E a roda junto ao poço
Lembra-te do teu Criador
Enquanto és moço
Roberto Diamanso
sábado, 13 de março de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
Mãos Pequenas
sábado, 6 de março de 2010
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Viver

Me dizem que viver é perigoso
"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."
Carlos Drummond de Andrade
Asas

Se essas asas fossem minhas
Não mais estaria aqui.
Iria ao mar, voaria ao céu,
Não perderia reflexos - em mim
Voaria distante, ao azul
Voltaria depressa em rimas
Seria o vinho, os tons, as notas
E não perceberia a constância mais cinza
Se eu não mais sentisse o violeta
E não notasse o verde esperança
Voaria então mais longe, intensa
Para a achar nos olhos de criança
E se eu perdesse tudo:
O verde, o azul, todo meu vermelho
Me encontraria dentro de mim
Para limpar meu velho espelho
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Tardezinha
Inocencia

Eu ainda me lembro do mundo
Dos olhos de uma criança
Devagar esses sentimentos
Foram encobertos pelo que eu sei agora
Eu ainda me lembro do sol
Sempre quente nas minhas costas
De alguma maneira parece mais frio agora
Para onde foi meu coração?
Preso nos olhos de estranhos
Eu quero voltar a
Acreditar em tudo
Enquanto os dias passam, diante de mim, enquanto as guerras se construíam, me tornando no que eu sou, nestes últimos dias de existência deste pobre país, esta parasita dentro de mim, eu o criei. Na parte mais sombria da tempestade repousa um mal, que sou eu.
- Evanescence.
"QUERO VOLTAR A CRER EM TUDO
E NAO SABER DE NADA."
Hanseniase
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Hanseníase
Doença que tem cura. Na primeira dose do tratamento, 99% dos bacilos são eliminados e não há mais chances de contaminação.
O que é?
Doença causada por um micróbio chamado bacilo de Hansen (mycobacterium leprae), que ataca normalmente a pele, os olhos e os nervos. Também conhecida como lepra, morféia, mal-de-Lázaro, mal-da-pele ou mal -do-sangue.
Transmissão
Não é uma doença hereditária. A forma de transmissão é pelas vias aéreas: uma pessoa infectada libera bacilo no ar e cria a possibilidade de contágio. Porém, a infecção dificilmente acontece depois de um simples encontro social. O contato deve ser íntimo e freqüente.
Contágio
A maioria das pessoas é resistente ao bacilo e, portanto, não adoece. De 7 doentes, apenas um oferece risco de contaminação.
Das 8 pessoas que tiveram contato com o paciente com possibilidade de infecção, apenas 2 contraem a doença. Desses 2, um torna-se infectante.
O ataque da doença
O bacilo de Hansen pode atingir vários nervos, mas contamina mais freqüentemente o dos braços e das pernas. Com o avanço da doença, os nervos ficam danificados e podem impedir o movimentos dos membros, como fechar mãos e andar.
1 - Nervos mais atingidos.
Cuidados que o doente deve ter
OLHOS
NARIZ
MAOS E BRAÇOS
PÉS
Tratamento
A hanseníase se apresenta, basicamente, de duas formas. O tratamento depende do tipo.
* Se for do tipo paucibacilar (com poucos bacilos), o tratamento é mais rápido. É dada uma dose mensal de remédios durante seis meses. Além da ingestão de um comprimido diário;
* Se for do tipo multibacilar (com muitos bacilos), o tempo para tratamento é mais longo. São 12 doses do medicamento, uma por mês. Além de dois outros remédios diários durante os dois anos.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Li.

De páginas das páginas
4
Não encontro outro descanso senão nos teus olhos. E não é a mocidade que eu vejo brilhando no fundo dos teus olhos de vinte anos - é a eternidade.
5
Não sei se ela tão fina, tão penetrante, compreendeu a minha agonia. A tarde era opalina e eu me sentia transparente como a água azul da piscina que olhávamos. Pelas alegrias da vida pagamos tão caro, que não sei se seria melhor que fossemos sempre infelizes.
(...)
7
O corpo branco no domingo branco. O pensamento branco como página para escrever.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
O piercing

Por volta de uns 4 meses atras, eu resolvi consumar meu desejo de infância : colocar um piercing no nariz!
Coisa mais futil não há, mas eu tinha muitas coisas a considerar:
1 - Rinite matinal : não lembro qual foi a última vez que não acordei dando 7 pulos por conta dos 7 espirros.
2 - Cravos no nariz : sempre esfolio o rosto antes de dormir
3 - Mania de dormir coçando o nariz : fazer o que .. tiraram-me a fraldinha muito cedo!
Bem, por essas e outras, demorei tanto tempo para consumar o ato e, passado os 4 meses, aqui estou eu novamente: des-piercingada!
Há 4 meses não consigo lavar meu nariz!
Há 4 meses não consigo não chorar pela manhã enquanto espirro!
Há 4 meses não consigo acariciar meu nariz até adormecer!
Há 4 meses não seco o nariz com a toalha após o banho!
Há 4 meses acordo com o nariz grudado nos fiapos da fronha, e .. choro!
Que se faça a lei do anti-furo. Para que serve uma bolotinha brilhante no nariz, se temos que por ela nos privar de tantas delícias?!
Talvez o ultimo desejo
Pergunta-me com muita seriedade uma moça jornalista qual é o meu maior desejo para o ano de 1950. E a resposta natural é dizer-lhe que desejo muita paz, prosperidade pública e particular para todos, saúde e dinheiro aqui em casa. Que mais há para dizer?
Mas a verdade, a verdade verdadeira que eu falar não posso, aquilo que representa o real desejo do meu coração, seria abrir os braços para o mundo, olhar para ele bem de frente e lhe dizer na cara: Te dana!
Sim te dana, mundo velho. Ao planeta com todos os seus homens e bichos, ao continente, ao país, ao Estado, à cidade, à população, aos parentes, amigos e conhecidos: danem-se! Danem-se que eu não ligo, vou pra longe me esquecer de tudo, vou a Pasárgada ou a qualquer outro lugar, vou-me embora, mudo de nome e paradeiro, quero ver quem é que me acha.
Isso que eu queria. Chegar junto do homem que eu amo e dizer para ele: Te dana, meu bem! Dora em vante pode fazer o que entender, pode ir, pode voltar, pode pagar dançarinas, pode fazer serenatas, rolar de borco pelas calçadas, pode jogar futebol, entrar na linha de Quimbanda, pode amar e desamar, pode tudo, que eu não ligo!
Chegar junto ao respeitável público e comunicar-lhe: Danai-vos, respeitável público. Acabou-se a adulação, não me importo mais com as vossas reações, do que gostais e do que não gostais; nutro a maior indiferença pelos vossos apupos e os vossos aplausos e sou incapaz de estirar um dedo para acariciar os vossos sentimentos. Ide baixar noutro centro, respeitável público, e não amoleis o escriba que de vós se libertou!
Chegar junto da pátria e dizer o mesmo: o doce, o suavíssimo, o libérrimo te dana. Que me importo contigo, pátria? Que cresças ou aumentes, que sofras de inundação ou de seca, que vendas café ou compres ervilhas de lata, que simules eleições ou engulas golpes? Elege quem tu quiseres, o voto é teu, o lombo é teu. Queres de novo a espora e o chicote do peão gordo que se fez teu ginete? Ou queres o manhoso mineiro ou o paulista de olho fundo? Escolhe à vontade - que me importa o comandante se o navio não é meu? A casa é tua, serve-te, pátria, que pátria não tenho mais.
Dizer te dana ao dinheiro, ao bom nome, ao respeito, à amizade e ao amor. Desprezar parentela, irmãos, tios, primos e cunhados, desprezar o sangue e os laços afins, me sentir como filho de oco de pau, sem compromissos nem afetos.
Me deitar numa rede branca armada debaixo da jaqueira, ficar balançando devagar para espantar o calor, roer castanha de caju confeitada sem receio de engordar, e ouvir na vitrolinha portátil todos os discos de Noel Rosa, com Araci e Marília Batista. Depois abrir sobre o rosto o último romance policial de Agatha Christie e dormir docemente ao mormaço.
Mas não faço. Queria tanto, mas não faço. O inquieto coração que ama e se assusta e se acha responsável pelo céu e pela terra, o insolente coração não deixa. De que serve, pois, aspirar à liberdade? O miserável coração nasceu cativo e só no cativeiro pode viver. O que ele deseja é mesmo servidão e intranqüilidade: quer reverenciar, quer ajudar, quer vigiar, quer se romper todo. Tem que espreitar os desejos do amado, e lhe fazer as quatro vontades, e atormentá-lo com cuidados e bendizer os seus caprichos; e dessa submissão e cegueira tira a sua única felicidade.
Tem que cuidar do mundo e vigiar o mundo, e gritar os seus brados de alarme que ninguém escuta e chorar com antecedência as desgraças previsíveis e carpir junto com os demais as desgraças acontecidas; não que o mundo lhe agradeça nem saiba sequer que esse estúpido coração existe. Mas essa é a outra servidão do amor em que ele se compraz - o misterioso sentimento de fraternidade que não acha nenhuma China demasiado longe, nenhum negro demasiado negro, nenhum ente demasiado estranho para o seu lado sentir e gemer e se saber seu irmão.
E tem o pai morto e a mãe viva, tão poderosos ambos, cada um na sua solidão estranha, tão longe dos nossos braços.
E tem a pátria que é coisa que ninguém explica, e tem o Ceará, valha-me Nossa Senhora, tem o velho pedaço de chão sertanejo que é meu, pois meu pai o deixou para mim como o seu pai já lho deixara e várias gerações antes de nós, passaram assim de pai a filho.
E tem a casa feita pela nossa mão, toda caiada de branco e com janelas azuis, tem os cachorros e as roseiras.
E tem o sangue que é mais grosso que a água e ata laços que ninguém desata, e não adianta pensar nem dizer que o sangue não importa, porque importa mesmo. E tem os amigos que são os irmãos adotivos, tão amados uns quanto os outros.
E tem o respeitável público que há vinte anos nos atura e lê, e em geral entende e aceita, e escreve e pede providências e colabora no que pode. E tem que se ganhar o dinheiro, e tem que se pagar imposto para possuir a terra e a casa e os bichos e as plantas; e tem que se cumprir os horários, e aceitar o trabalho, e cuidar da comida e da cama. E há que se ter medo dos soldados, e respeito pela autoridade, e paciência em dia de eleição. Há que ter coragem para continuar vivendo, tem que se pensar no dia de amanhã, embora uma coisa obscura nos diga teimosamente lá dentro que o dia de amanhã, se a gente o deixasse em paz, se cuidaria sozinho, tal como o de ontem se cuidou.
E assim, em vez da bela liberdade, da solidão e da música, a triste alma tem mesmo é que se debater nos cuidados, vigiar e amar, e acompanhar medrosa e impotente a loucura geral, o suicídio geral. E adular o público e os amigos e mentir sempre que for preciso e jamais se dedicar a si própria e aos seus desejos secretos.
Prisão de sete portas, cada uma com sete fechaduras, trancadas com sete chaves, por que lutar contra as tuas grades?
O único desabafo é descobrir o mísero coração dentro do peito, sacudi-lo um pouco e botar na boca toda a amargura do cativeiro sem remédio, antes de o apostrofar: Te dana, coração, te dana!
Rachel de Queiroz
Mas a verdade, a verdade verdadeira que eu falar não posso, aquilo que representa o real desejo do meu coração, seria abrir os braços para o mundo, olhar para ele bem de frente e lhe dizer na cara: Te dana!
Sim te dana, mundo velho. Ao planeta com todos os seus homens e bichos, ao continente, ao país, ao Estado, à cidade, à população, aos parentes, amigos e conhecidos: danem-se! Danem-se que eu não ligo, vou pra longe me esquecer de tudo, vou a Pasárgada ou a qualquer outro lugar, vou-me embora, mudo de nome e paradeiro, quero ver quem é que me acha.
Isso que eu queria. Chegar junto do homem que eu amo e dizer para ele: Te dana, meu bem! Dora em vante pode fazer o que entender, pode ir, pode voltar, pode pagar dançarinas, pode fazer serenatas, rolar de borco pelas calçadas, pode jogar futebol, entrar na linha de Quimbanda, pode amar e desamar, pode tudo, que eu não ligo!
Chegar junto ao respeitável público e comunicar-lhe: Danai-vos, respeitável público. Acabou-se a adulação, não me importo mais com as vossas reações, do que gostais e do que não gostais; nutro a maior indiferença pelos vossos apupos e os vossos aplausos e sou incapaz de estirar um dedo para acariciar os vossos sentimentos. Ide baixar noutro centro, respeitável público, e não amoleis o escriba que de vós se libertou!
Chegar junto da pátria e dizer o mesmo: o doce, o suavíssimo, o libérrimo te dana. Que me importo contigo, pátria? Que cresças ou aumentes, que sofras de inundação ou de seca, que vendas café ou compres ervilhas de lata, que simules eleições ou engulas golpes? Elege quem tu quiseres, o voto é teu, o lombo é teu. Queres de novo a espora e o chicote do peão gordo que se fez teu ginete? Ou queres o manhoso mineiro ou o paulista de olho fundo? Escolhe à vontade - que me importa o comandante se o navio não é meu? A casa é tua, serve-te, pátria, que pátria não tenho mais.
Dizer te dana ao dinheiro, ao bom nome, ao respeito, à amizade e ao amor. Desprezar parentela, irmãos, tios, primos e cunhados, desprezar o sangue e os laços afins, me sentir como filho de oco de pau, sem compromissos nem afetos.
Me deitar numa rede branca armada debaixo da jaqueira, ficar balançando devagar para espantar o calor, roer castanha de caju confeitada sem receio de engordar, e ouvir na vitrolinha portátil todos os discos de Noel Rosa, com Araci e Marília Batista. Depois abrir sobre o rosto o último romance policial de Agatha Christie e dormir docemente ao mormaço.
Mas não faço. Queria tanto, mas não faço. O inquieto coração que ama e se assusta e se acha responsável pelo céu e pela terra, o insolente coração não deixa. De que serve, pois, aspirar à liberdade? O miserável coração nasceu cativo e só no cativeiro pode viver. O que ele deseja é mesmo servidão e intranqüilidade: quer reverenciar, quer ajudar, quer vigiar, quer se romper todo. Tem que espreitar os desejos do amado, e lhe fazer as quatro vontades, e atormentá-lo com cuidados e bendizer os seus caprichos; e dessa submissão e cegueira tira a sua única felicidade.
Tem que cuidar do mundo e vigiar o mundo, e gritar os seus brados de alarme que ninguém escuta e chorar com antecedência as desgraças previsíveis e carpir junto com os demais as desgraças acontecidas; não que o mundo lhe agradeça nem saiba sequer que esse estúpido coração existe. Mas essa é a outra servidão do amor em que ele se compraz - o misterioso sentimento de fraternidade que não acha nenhuma China demasiado longe, nenhum negro demasiado negro, nenhum ente demasiado estranho para o seu lado sentir e gemer e se saber seu irmão.
E tem o pai morto e a mãe viva, tão poderosos ambos, cada um na sua solidão estranha, tão longe dos nossos braços.
E tem a pátria que é coisa que ninguém explica, e tem o Ceará, valha-me Nossa Senhora, tem o velho pedaço de chão sertanejo que é meu, pois meu pai o deixou para mim como o seu pai já lho deixara e várias gerações antes de nós, passaram assim de pai a filho.
E tem a casa feita pela nossa mão, toda caiada de branco e com janelas azuis, tem os cachorros e as roseiras.
E tem o sangue que é mais grosso que a água e ata laços que ninguém desata, e não adianta pensar nem dizer que o sangue não importa, porque importa mesmo. E tem os amigos que são os irmãos adotivos, tão amados uns quanto os outros.
E tem o respeitável público que há vinte anos nos atura e lê, e em geral entende e aceita, e escreve e pede providências e colabora no que pode. E tem que se ganhar o dinheiro, e tem que se pagar imposto para possuir a terra e a casa e os bichos e as plantas; e tem que se cumprir os horários, e aceitar o trabalho, e cuidar da comida e da cama. E há que se ter medo dos soldados, e respeito pela autoridade, e paciência em dia de eleição. Há que ter coragem para continuar vivendo, tem que se pensar no dia de amanhã, embora uma coisa obscura nos diga teimosamente lá dentro que o dia de amanhã, se a gente o deixasse em paz, se cuidaria sozinho, tal como o de ontem se cuidou.
E assim, em vez da bela liberdade, da solidão e da música, a triste alma tem mesmo é que se debater nos cuidados, vigiar e amar, e acompanhar medrosa e impotente a loucura geral, o suicídio geral. E adular o público e os amigos e mentir sempre que for preciso e jamais se dedicar a si própria e aos seus desejos secretos.
Prisão de sete portas, cada uma com sete fechaduras, trancadas com sete chaves, por que lutar contra as tuas grades?
O único desabafo é descobrir o mísero coração dentro do peito, sacudi-lo um pouco e botar na boca toda a amargura do cativeiro sem remédio, antes de o apostrofar: Te dana, coração, te dana!
Rachel de Queiroz
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
O que na verdade somos

Não há mais segredos pra esconder
Por que complicar a verdade?
Que adianta apontar o caminho
E seguir outra direção?
Quando mundo tenta nos enxergar,
Será que vê o que realmente somos?
Se a verdade é tão simples, onde erramos?
Ou o que deixamos de fazer?
Se não há mais segredos,
Por que complicamos?
Poucos entendem a verdade!
Pra fazer diferença não basta ser diferente
De que modo eu mudo a história?
Com discurso ou com ação?
Pra falar do amor,
tenho que aprender a repartir o pão
Chorar com os que choram
Me alegrar com os que cantam
Ninguém vai me ouvir sem amor...
O que na verdade somos?
O que você vê quando me vê?
Se o mundo ainda é mau
O culpado está diante do espelho!
O que na verdade somos?
O que você vê quando me vê?
Pra que serve a luz que não acende?
Não ilumina a escuridão
- Fruto Sagrado
Quase
Ainda pior que a convicção do não, a incerteza do talvez
é a desilusão de um "quase".
É o quase que me incomoda, que me entristece, que
me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas idéias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna;
ou melhor, não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância e frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir
entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo,
o mar não teria ondas, os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige, nem acalma,
apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas,
nem que todas as estrelas estejam ao alcance,
para as coisas que não podem ser mudadas
resta-nos somente paciência,
porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance;
pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando,
fazendo que planejando, vivendo que esperando
porque, embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu!
Luís Fernando Veríssimo / Sarah Westphal Batista da Silva.
é a desilusão de um "quase".
É o quase que me incomoda, que me entristece, que
me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas idéias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna;
ou melhor, não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância e frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir
entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo,
o mar não teria ondas, os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige, nem acalma,
apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas,
nem que todas as estrelas estejam ao alcance,
para as coisas que não podem ser mudadas
resta-nos somente paciência,
porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance;
pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando,
fazendo que planejando, vivendo que esperando
porque, embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu!
Luís Fernando Veríssimo / Sarah Westphal Batista da Silva.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Maybe i'm a lonely girl

E quiçá, ela.
Quem diria que a vida nos traria assim, até aqui, tão parcialmente estranhas e pouco confidentes. Não esquecerei, minha amiga, do tempo que se passou e, não desprezo, minha amiga, o que nos sustentou ... por longos dias.
Chame então de Bi, ou simplesmente não chame, espere esse vai e vem, mas volte, não se perca por aí e nem me permita, minha amiga!
"Entenda que amigos vão e vêm. Mas nunca abra mão de uns poucos e bons"
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Lagartixa, "Tixa"

Ah, estou com todos os meus sentimentos à flor da pele!
Tudo por conta dessa tixinha da foto que , aliás, está muito mal tirada pois um dos muitos sentimentos que me consomem agora chama-se PAVOR.
Não me recordo desde quando, mas já faz algum tempo que esse animal-coisa-ser-bicho me arrepia a espinha.
Não sei se pela cor, que passa um ar de puro veneno ou, sabe-se lá, se pela forma como corre pelo teto com a cabeça erguida como que se quisesse me dizer "Eu ando no TEU teto e te consumo a coragem com apenas MINHA cabecinha erguida!"
Vivo então um dilema e já faz um certo tempo, como disse, não me recordo exatamente QUANTO, mas há também dentro de mim, sorrateiramente oculto, uma certa "cumplicidade" e isso sim, eu recordo bem quando nasceu!
Ano passado, 2009, eu cheguei do serviço, acendi a luz do quarto, liguei o pc e, quando me virei para tras, pouco mais de 1 metro acima de minha cama, havia lá a coisa, que até esse acontecido, atendia por LAGARTIXA.
Comecei a sentir os sintomas comuns de uma pessoa que se depara com esse "ser". Passado o pior, comecei a pensar no que eu poderia fazer para dormir em PAZ (se é que se pode ter paz com uma lagartixa na sua parede!), e cheguei a decisão que puxando a cama para o meio do quarto, ela teria que pular muito certeira para dormir comigo debaixo de meu edredom. Assim, fiz: puxei a cama.
2º dia da visita = Cheguei, acendi a luz. Localizei a forasteira e tentei manter o controle.
3º dia da visita = A surpresa! Quando cheguei, acendi a luz, minha amiga estava com uma companheira, muito parecida com ela aparentemente e tão "querida" quanto! Não resisti e, desabando em minha cama, pus-me a chorar desesperadamente. Passado o pior, comecei a pensar no que poderia fazer para continuar "dormindo em paz" e tive a brilhante ideia de sugerir a elas uma singela amizade. Assim fiz: "Olá tixinhas, olá. Sei que vocês sabem que respeito muito vocês e que podem ficar aí o quanto quiserem e do jeito que quiserem, tragam também o restante da família, boa noite!"
4º, 5º, 6º dia (etc.) = Singelos "BOAS NOITES" e um certo "carinho" pela visitas que pareciam adorar o passeio.
Numa noite qualquer, passados alguns longos dias = Cheguei, acendi a luz e já fui dizendo "Boooa noite tixiiinhas" e a SURPRESA: as tixas não mais estavam lá! Na hora, houve uma mistura de sentimentos, a saudade, o alívio, a paz e muitas lágrimas.
A partir desse dia, eu prometi a mim mesma que não mais teria medo de lagartixas e que todas elas seriam chamadas de TIXAS. Mas fracassei.
Não se passou muito tempo, cheguei, abri a porta do banheiro, e lá estava uma delas, no teto, mas não era nenhuma das que eu conhecia e tinha intimidade, era mais clara, mais magra e com ar de mais cruel.
Eu fracassei. E aí está a de hoje, que já não sei se chamo de TIXINHA e conquisto sua amizade ou se continuo a tremer e tentar desviar os olhos dela, animal-bicho-ser-ou-sabe-se-lá-o-quê!
Bar ruim é lindo, bicho

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem.)
No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão — é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.
— Ô Betão, traz mais uma pra a gente — eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.
O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).
— Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?
ANTONIO PRATA
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
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