
Ah, estou com todos os meus sentimentos à flor da pele!
Tudo por conta dessa tixinha da foto que , aliás, está muito mal tirada pois um dos muitos sentimentos que me consomem agora chama-se PAVOR.
Não me recordo desde quando, mas já faz algum tempo que esse animal-coisa-ser-bicho me arrepia a espinha.
Não sei se pela cor, que passa um ar de puro veneno ou, sabe-se lá, se pela forma como corre pelo teto com a cabeça erguida como que se quisesse me dizer "Eu ando no TEU teto e te consumo a coragem com apenas MINHA cabecinha erguida!"
Vivo então um dilema e já faz um certo tempo, como disse, não me recordo exatamente QUANTO, mas há também dentro de mim, sorrateiramente oculto, uma certa "cumplicidade" e isso sim, eu recordo bem quando nasceu!
Ano passado, 2009, eu cheguei do serviço, acendi a luz do quarto, liguei o pc e, quando me virei para tras, pouco mais de 1 metro acima de minha cama, havia lá a coisa, que até esse acontecido, atendia por LAGARTIXA.
Comecei a sentir os sintomas comuns de uma pessoa que se depara com esse "ser". Passado o pior, comecei a pensar no que eu poderia fazer para dormir em PAZ (se é que se pode ter paz com uma lagartixa na sua parede!), e cheguei a decisão que puxando a cama para o meio do quarto, ela teria que pular muito certeira para dormir comigo debaixo de meu edredom. Assim, fiz: puxei a cama.
2º dia da visita = Cheguei, acendi a luz. Localizei a forasteira e tentei manter o controle.
3º dia da visita = A surpresa! Quando cheguei, acendi a luz, minha amiga estava com uma companheira, muito parecida com ela aparentemente e tão "querida" quanto! Não resisti e, desabando em minha cama, pus-me a chorar desesperadamente. Passado o pior, comecei a pensar no que poderia fazer para continuar "dormindo em paz" e tive a brilhante ideia de sugerir a elas uma singela amizade. Assim fiz: "Olá tixinhas, olá. Sei que vocês sabem que respeito muito vocês e que podem ficar aí o quanto quiserem e do jeito que quiserem, tragam também o restante da família, boa noite!"
4º, 5º, 6º dia (etc.) = Singelos "BOAS NOITES" e um certo "carinho" pela visitas que pareciam adorar o passeio.
Numa noite qualquer, passados alguns longos dias = Cheguei, acendi a luz e já fui dizendo "Boooa noite tixiiinhas" e a SURPRESA: as tixas não mais estavam lá! Na hora, houve uma mistura de sentimentos, a saudade, o alívio, a paz e muitas lágrimas.
A partir desse dia, eu prometi a mim mesma que não mais teria medo de lagartixas e que todas elas seriam chamadas de TIXAS. Mas fracassei.
Não se passou muito tempo, cheguei, abri a porta do banheiro, e lá estava uma delas, no teto, mas não era nenhuma das que eu conhecia e tinha intimidade, era mais clara, mais magra e com ar de mais cruel.
Eu fracassei. E aí está a de hoje, que já não sei se chamo de TIXINHA e conquisto sua amizade ou se continuo a tremer e tentar desviar os olhos dela, animal-bicho-ser-ou-sabe-se-lá-o-quê!

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