"E o tempo se vai, mas algo eu sempre guardarei: o Teu amor que um dia eu encontrei!"

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Viver



Me dizem que viver é perigoso




"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional."

Carlos Drummond de Andrade

Asas



Se essas asas fossem minhas
Não mais estaria aqui.
Iria ao mar, voaria ao céu,
Não perderia reflexos - em mim

Voaria distante, ao azul
Voltaria depressa em rimas
Seria o vinho, os tons, as notas
E não perceberia a constância mais cinza

Se eu não mais sentisse o violeta
E não notasse o verde esperança
Voaria então mais longe, intensa
Para a achar nos olhos de criança

E se eu perdesse tudo:
O verde, o azul, todo meu vermelho
Me encontraria dentro de mim
Para limpar meu velho espelho

Bike






Que tempo BOM que não volta nunca mais.

O mundo é bom




E a FELICIDADE até existe!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Tardezinha




Hoje eu perdi a minha sonequinha da tardezinha ...
no diminutivo pelo excesso de zelo que tenho por essa atividadezinha!

Inocencia


Eu ainda me lembro do mundo
Dos olhos de uma criança
Devagar esses sentimentos
Foram encobertos pelo que eu sei agora

Eu ainda me lembro do sol
Sempre quente nas minhas costas
De alguma maneira parece mais frio agora

Para onde foi meu coração?
Preso nos olhos de estranhos
Eu quero voltar a
Acreditar em tudo

Enquanto os dias passam, diante de mim, enquanto as guerras se construíam, me tornando no que eu sou, nestes últimos dias de existência deste pobre país, esta parasita dentro de mim, eu o criei. Na parte mais sombria da tempestade repousa um mal, que sou eu.

- Evanescence.

"QUERO VOLTAR A CRER EM TUDO
E NAO SABER DE NADA."

Hanseniase



Hanseníase
Doença que tem cura. Na primeira dose do tratamento, 99% dos bacilos são eliminados e não há mais chances de contaminação.

O que é?

Doença causada por um micróbio chamado bacilo de Hansen (mycobacterium leprae), que ataca normalmente a pele, os olhos e os nervos. Também conhecida como lepra, morféia, mal-de-Lázaro, mal-da-pele ou mal -do-sangue.


Transmissão

Não é uma doença hereditária. A forma de transmissão é pelas vias aéreas: uma pessoa infectada libera bacilo no ar e cria a possibilidade de contágio. Porém, a infecção dificilmente acontece depois de um simples encontro social. O contato deve ser íntimo e freqüente.


Contágio

A maioria das pessoas é resistente ao bacilo e, portanto, não adoece. De 7 doentes, apenas um oferece risco de contaminação.

Das 8 pessoas que tiveram contato com o paciente com possibilidade de infecção, apenas 2 contraem a doença. Desses 2, um torna-se infectante.


O ataque da doença

O bacilo de Hansen pode atingir vários nervos, mas contamina mais freqüentemente o dos braços e das pernas. Com o avanço da doença, os nervos ficam danificados e podem impedir o movimentos dos membros, como fechar mãos e andar.

1 - Nervos mais atingidos.


Cuidados que o doente deve ter


OLHOS
NARIZ
MAOS E BRAÇOS
PÉS


Tratamento

A hanseníase se apresenta, basicamente, de duas formas. O tratamento depende do tipo.

* Se for do tipo paucibacilar (com poucos bacilos), o tratamento é mais rápido. É dada uma dose mensal de remédios durante seis meses. Além da ingestão de um comprimido diário;
* Se for do tipo multibacilar (com muitos bacilos), o tempo para tratamento é mais longo. São 12 doses do medicamento, uma por mês. Além de dois outros remédios diários durante os dois anos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Li.


De páginas das páginas


4
Não encontro outro descanso senão nos teus olhos. E não é a mocidade que eu vejo brilhando no fundo dos teus olhos de vinte anos - é a eternidade.

5
Não sei se ela tão fina, tão penetrante, compreendeu a minha agonia. A tarde era opalina e eu me sentia transparente como a água azul da piscina que olhávamos. Pelas alegrias da vida pagamos tão caro, que não sei se seria melhor que fossemos sempre infelizes.



(...)
7
O corpo branco no domingo branco. O pensamento branco como página para escrever.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O piercing






Por volta de uns 4 meses atras, eu resolvi consumar meu desejo de infância : colocar um piercing no nariz!

Coisa mais futil não há, mas eu tinha muitas coisas a considerar:

1 - Rinite matinal : não lembro qual foi a última vez que não acordei dando 7 pulos por conta dos 7 espirros.

2 - Cravos no nariz : sempre esfolio o rosto antes de dormir

3 - Mania de dormir coçando o nariz : fazer o que .. tiraram-me a fraldinha muito cedo!


Bem, por essas e outras, demorei tanto tempo para consumar o ato e, passado os 4 meses, aqui estou eu novamente: des-piercingada!

Há 4 meses não consigo lavar meu nariz!
Há 4 meses não consigo não chorar pela manhã enquanto espirro!
Há 4 meses não consigo acariciar meu nariz até adormecer!
Há 4 meses não seco o nariz com a toalha após o banho!
Há 4 meses acordo com o nariz grudado nos fiapos da fronha, e .. choro!


Que se faça a lei do anti-furo. Para que serve uma bolotinha brilhante no nariz, se temos que por ela nos privar de tantas delícias?!

Talvez o ultimo desejo

Pergunta-me com muita seriedade uma moça jornalista qual é o meu maior desejo para o ano de 1950. E a resposta natural é dizer-lhe que desejo muita paz, prosperidade pública e particular para todos, saúde e dinheiro aqui em casa. Que mais há para dizer?
Mas a verdade, a verdade verdadeira que eu falar não posso, aquilo que representa o real desejo do meu coração, seria abrir os braços para o mundo, olhar para ele bem de frente e lhe dizer na cara: Te dana!
Sim te dana, mundo velho. Ao planeta com todos os seus homens e bichos, ao continente, ao país, ao Estado, à cidade, à população, aos parentes, amigos e conhecidos: danem-se! Danem-se que eu não ligo, vou pra longe me esquecer de tudo, vou a Pasárgada ou a qualquer outro lugar, vou-me embora, mudo de nome e paradeiro, quero ver quem é que me acha.
Isso que eu queria. Chegar junto do homem que eu amo e dizer para ele: Te dana, meu bem! Dora em vante pode fazer o que entender, pode ir, pode voltar, pode pagar dançarinas, pode fazer serenatas, rolar de borco pelas calçadas, pode jogar futebol, entrar na linha de Quimbanda, pode amar e desamar, pode tudo, que eu não ligo!
Chegar junto ao respeitável público e comunicar-lhe: Danai-vos, respeitável público. Acabou-se a adulação, não me importo mais com as vossas reações, do que gostais e do que não gostais; nutro a maior indiferença pelos vossos apupos e os vossos aplausos e sou incapaz de estirar um dedo para acariciar os vossos sentimentos. Ide baixar noutro centro, respeitável público, e não amoleis o escriba que de vós se libertou!
Chegar junto da pátria e dizer o mesmo: o doce, o suavíssimo, o libérrimo te dana. Que me importo contigo, pátria? Que cresças ou aumentes, que sofras de inundação ou de seca, que vendas café ou compres ervilhas de lata, que simules eleições ou engulas golpes? Elege quem tu quiseres, o voto é teu, o lombo é teu. Queres de novo a espora e o chicote do peão gordo que se fez teu ginete? Ou queres o manhoso mineiro ou o paulista de olho fundo? Escolhe à vontade - que me importa o comandante se o navio não é meu? A casa é tua, serve-te, pátria, que pátria não tenho mais.
Dizer te dana ao dinheiro, ao bom nome, ao respeito, à amizade e ao amor. Desprezar parentela, irmãos, tios, primos e cunhados, desprezar o sangue e os laços afins, me sentir como filho de oco de pau, sem compromissos nem afetos.
Me deitar numa rede branca armada debaixo da jaqueira, ficar balançando devagar para espantar o calor, roer castanha de caju confeitada sem receio de engordar, e ouvir na vitrolinha portátil todos os discos de Noel Rosa, com Araci e Marília Batista. Depois abrir sobre o rosto o último romance policial de Agatha Christie e dormir docemente ao mormaço.

Mas não faço. Queria tanto, mas não faço. O inquieto coração que ama e se assusta e se acha responsável pelo céu e pela terra, o insolente coração não deixa. De que serve, pois, aspirar à liberdade? O miserável coração nasceu cativo e só no cativeiro pode viver. O que ele deseja é mesmo servidão e intranqüilidade: quer reverenciar, quer ajudar, quer vigiar, quer se romper todo. Tem que espreitar os desejos do amado, e lhe fazer as quatro vontades, e atormentá-lo com cuidados e bendizer os seus caprichos; e dessa submissão e cegueira tira a sua única felicidade.
Tem que cuidar do mundo e vigiar o mundo, e gritar os seus brados de alarme que ninguém escuta e chorar com antecedência as desgraças previsíveis e carpir junto com os demais as desgraças acontecidas; não que o mundo lhe agradeça nem saiba sequer que esse estúpido coração existe. Mas essa é a outra servidão do amor em que ele se compraz - o misterioso sentimento de fraternidade que não acha nenhuma China demasiado longe, nenhum negro demasiado negro, nenhum ente demasiado estranho para o seu lado sentir e gemer e se saber seu irmão.
E tem o pai morto e a mãe viva, tão poderosos ambos, cada um na sua solidão estranha, tão longe dos nossos braços.
E tem a pátria que é coisa que ninguém explica, e tem o Ceará, valha-me Nossa Senhora, tem o velho pedaço de chão sertanejo que é meu, pois meu pai o deixou para mim como o seu pai já lho deixara e várias gerações antes de nós, passaram assim de pai a filho.
E tem a casa feita pela nossa mão, toda caiada de branco e com janelas azuis, tem os cachorros e as roseiras.
E tem o sangue que é mais grosso que a água e ata laços que ninguém desata, e não adianta pensar nem dizer que o sangue não importa, porque importa mesmo. E tem os amigos que são os irmãos adotivos, tão amados uns quanto os outros.
E tem o respeitável público que há vinte anos nos atura e lê, e em geral entende e aceita, e escreve e pede providências e colabora no que pode. E tem que se ganhar o dinheiro, e tem que se pagar imposto para possuir a terra e a casa e os bichos e as plantas; e tem que se cumprir os horários, e aceitar o trabalho, e cuidar da comida e da cama. E há que se ter medo dos soldados, e respeito pela autoridade, e paciência em dia de eleição. Há que ter coragem para continuar vivendo, tem que se pensar no dia de amanhã, embora uma coisa obscura nos diga teimosamente lá dentro que o dia de amanhã, se a gente o deixasse em paz, se cuidaria sozinho, tal como o de ontem se cuidou.
E assim, em vez da bela liberdade, da solidão e da música, a triste alma tem mesmo é que se debater nos cuidados, vigiar e amar, e acompanhar medrosa e impotente a loucura geral, o suicídio geral. E adular o público e os amigos e mentir sempre que for preciso e jamais se dedicar a si própria e aos seus desejos secretos.
Prisão de sete portas, cada uma com sete fechaduras, trancadas com sete chaves, por que lutar contra as tuas grades?
O único desabafo é descobrir o mísero coração dentro do peito, sacudi-lo um pouco e botar na boca toda a amargura do cativeiro sem remédio, antes de o apostrofar: Te dana, coração, te dana!


Rachel de Queiroz

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O que na verdade somos


Não há mais segredos pra esconder
Por que complicar a verdade?
Que adianta apontar o caminho
E seguir outra direção?
Quando mundo tenta nos enxergar,
Será que vê o que realmente somos?

Se a verdade é tão simples, onde erramos?
Ou o que deixamos de fazer?
Se não há mais segredos,
Por que complicamos?
Poucos entendem a verdade!
Pra fazer diferença não basta ser diferente
De que modo eu mudo a história?
Com discurso ou com ação?

Pra falar do amor,
tenho que aprender a repartir o pão
Chorar com os que choram
Me alegrar com os que cantam
Ninguém vai me ouvir sem amor...

O que na verdade somos?
O que você vê quando me vê?
Se o mundo ainda é mau
O culpado está diante do espelho!

O que na verdade somos?
O que você vê quando me vê?
Pra que serve a luz que não acende?
Não ilumina a escuridão

- Fruto Sagrado

Quase

Ainda pior que a convicção do não, a incerteza do talvez
é a desilusão de um "quase".
É o quase que me incomoda, que me entristece, que
me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas idéias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna;
ou melhor, não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância e frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir
entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo,
o mar não teria ondas, os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige, nem acalma,
apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas,
nem que todas as estrelas estejam ao alcance,
para as coisas que não podem ser mudadas
resta-nos somente paciência,
porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance;
pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando,
fazendo que planejando, vivendo que esperando
porque, embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu!




Luís Fernando Veríssimo / Sarah Westphal Batista da Silva.

Senhores





Tô de titulo. Votar em alguém que ao menos não renuncie as próprias renuncias.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Maybe i'm a lonely girl






E quiçá, ela.

Quem diria que a vida nos traria assim, até aqui, tão parcialmente estranhas e pouco confidentes. Não esquecerei, minha amiga, do tempo que se passou e, não desprezo, minha amiga, o que nos sustentou ... por longos dias.


Chame então de Bi, ou simplesmente não chame, espere esse vai e vem, mas volte, não se perca por aí e nem me permita, minha amiga!


"Entenda que amigos vão e vêm. Mas nunca abra mão de uns poucos e bons"

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Lagartixa, "Tixa"





Ah, estou com todos os meus sentimentos à flor da pele!
Tudo por conta dessa tixinha da foto que , aliás, está muito mal tirada pois um dos muitos sentimentos que me consomem agora chama-se PAVOR.

Não me recordo desde quando, mas já faz algum tempo que esse animal-coisa-ser-bicho me arrepia a espinha.

Não sei se pela cor, que passa um ar de puro veneno ou, sabe-se lá, se pela forma como corre pelo teto com a cabeça erguida como que se quisesse me dizer "Eu ando no TEU teto e te consumo a coragem com apenas MINHA cabecinha erguida!"

Vivo então um dilema e já faz um certo tempo, como disse, não me recordo exatamente QUANTO, mas há também dentro de mim, sorrateiramente oculto, uma certa "cumplicidade" e isso sim, eu recordo bem quando nasceu!

Ano passado, 2009, eu cheguei do serviço, acendi a luz do quarto, liguei o pc e, quando me virei para tras, pouco mais de 1 metro acima de minha cama, havia lá a coisa, que até esse acontecido, atendia por LAGARTIXA.

Comecei a sentir os sintomas comuns de uma pessoa que se depara com esse "ser". Passado o pior, comecei a pensar no que eu poderia fazer para dormir em PAZ (se é que se pode ter paz com uma lagartixa na sua parede!), e cheguei a decisão que puxando a cama para o meio do quarto, ela teria que pular muito certeira para dormir comigo debaixo de meu edredom. Assim, fiz: puxei a cama.

2º dia da visita = Cheguei, acendi a luz. Localizei a forasteira e tentei manter o controle.

3º dia da visita = A surpresa! Quando cheguei, acendi a luz, minha amiga estava com uma companheira, muito parecida com ela aparentemente e tão "querida" quanto! Não resisti e, desabando em minha cama, pus-me a chorar desesperadamente. Passado o pior, comecei a pensar no que poderia fazer para continuar "dormindo em paz" e tive a brilhante ideia de sugerir a elas uma singela amizade. Assim fiz: "Olá tixinhas, olá. Sei que vocês sabem que respeito muito vocês e que podem ficar aí o quanto quiserem e do jeito que quiserem, tragam também o restante da família, boa noite!"

4º, 5º, 6º dia (etc.) = Singelos "BOAS NOITES" e um certo "carinho" pela visitas que pareciam adorar o passeio.

Numa noite qualquer, passados alguns longos dias = Cheguei, acendi a luz e já fui dizendo "Boooa noite tixiiinhas" e a SURPRESA: as tixas não mais estavam lá! Na hora, houve uma mistura de sentimentos, a saudade, o alívio, a paz e muitas lágrimas.

A partir desse dia, eu prometi a mim mesma que não mais teria medo de lagartixas e que todas elas seriam chamadas de TIXAS. Mas fracassei.

Não se passou muito tempo, cheguei, abri a porta do banheiro, e lá estava uma delas, no teto, mas não era nenhuma das que eu conhecia e tinha intimidade, era mais clara, mais magra e com ar de mais cruel.

Eu fracassei. E aí está a de hoje, que já não sei se chamo de TIXINHA e conquisto sua amizade ou se continuo a tremer e tentar desviar os olhos dela, animal-bicho-ser-ou-sabe-se-lá-o-quê!

Bar ruim é lindo, bicho







Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem.)

No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão — é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.

— Ô Betão, traz mais uma pra a gente — eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.

O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).

— Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?





ANTONIO PRATA




O CINZA desse mar me acizenta a alma!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010





Qual o segredo da felicidade?
Será preciso ficar só, só pra se viver?

Hoje





Hoje é dia de poucas palavras.
Dia de um silêncio parceiro;
Dia de casulo, de encapuzar o coração;
E represar a alma toldada de tristeza.


Ricardo Gondim

Silêncio





Silencio o mais silente sentimento
Sedimento a mais secreta emoção
Sufoco o mais seco sofrimento
Sofro a mais intensa comoção.




Ricardo Gondim

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Somos o todo


Feitos de nada.




Enloireci




Assim, de repente!

Pessoas habitadas

Estava conversando com uma amiga, dia desses. Ela comentava sobre uma terceira pessoa, que eu não conhecia. Descreveu-a como sendo boa gente, esforçada, ótimo caráter. "Só tem um probleminha: não é habitada". Rimos. É uma expressão coloquial na França — habité — mas nunca tinha escutado por estas paragens e com este sentido. Lembrei-me de uma outra amiga que, de forma parecida, também costuma dizer "aquela ali tem gente em casa" quando se refere a pessoas que fazem diferença.

Uma pessoa pode ser altamente confiável, gentil, carinhosa, simpática, mas se não é habitada, rapidinho coloca os outros pra dormir. Uma pessoa habitada é uma pessoa possuída, não necessariamente pelo demo, ainda que satanás esteja longe de ser má referência. Clarice Lispector certa vez escreveu uma carta a Fernando Sabino dizendo que faltava demônio em Berna, onde morava na ocasião. A Suíça, de fato, é um país de contos de fada onde tudo funciona, onde todos são belos, onde a vida parece uma pintura, um rótulo de chocolate. Mas falta uma ebulição que a salve do marasmo.

Retornando ao assunto: pessoas habitadas são aquelas possuídas, de fato, por si mesmas, em diversas versões. Os habitados estão preenchidos de indagações, angústias, incertezas, mas não são menos felizes por causa disso. Não transformam suas "inadequações" em doença, mas em força e curiosidade. Não recuam diante de encruzilhadas, não se amedrontam com transgressões, não adotam as opiniões dos outros para facilitar o diálogo. São pessoas que surpreendem com um gesto ou uma fala fora do script, sem nenhuma disposição para serem bonecos de ventríloquos. Ao contrário, encantam pela verdade pessoal que defendem. Além disso, mantêm com a solidão uma relação mais do que cordial.

Então são as criaturas mais incríveis do universo? Não necessariamente. Entre os habitados há de tudo, gente fenomenal e também assassinos, pervertidos e demais malucos que não merecem abrandamento de pena pelo fato de serem, em certos aspectos, bastante interessantes. Interessam, mas assustam. Interessam, mas causam dano. Eu não gostaria de repartir a mesa de um restaurante com Hannibal Lecter, "The Cannibal", ainda que eu não tenha dúvida de que o personagem imortalizado por Anthony Hopkins renderia um papo mais estimulante do que uma conversa com, sei lá, Britney Spears, que só tem gente em casa porque está grávida.

Que tenhamos a sorte de esbarrar com seres habitados e ao mesmo tempo inofensivos, cujo único mal que possam fazer é nos fascinar e nos manter acordados uma madrugada inteira. Ou a vida inteira, o que é melhor ainda.


MARTHA MEDEIROS

30º blog

De repente acho-me meio sozinha e resolvo escrever para qualquer pessoa e em qualquer local. Não são coisas inteligentes e nem algo que algum amigo mereça ouvir ou ler ... por exemplo, hoje, são apenas algumas crônicas que estive lendo no decorrer da semana e amanhã, provavelmente, nada será.

Não tenho nenhum conjunto de pensamentos incríveis e, por mais infeliz que pareça, eu AINDA não tenho ideias e filosofias de vida.

Quero apenas repetir algumas coisas e escrever coisas que todos nós em algum momento de nossas vidas pensamos, mas que vindo de mim não soam incríveis.