"E o tempo se vai, mas algo eu sempre guardarei: o Teu amor que um dia eu encontrei!"

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

fim do mundo

O cinza dos meus olhos só soube ser ofuscado pelo brilho da Avenida. Enquanto uma massa sorria, a outra morria. Morria de tédio, morria de medo e morria de fome. E eu? Eu piscava os olhos cinzas para ver se iluminava - não iluminou.
Andei desatenta para não ter certeza do medo intenso que me tomava inteira: destruímos nossa história com hipocrisia!

Foi então que, ao atravessar a Avenida, lembrei-me que hoje seria o dia do fim do mundo, mas o fim não aconteceu. Minha tristeza toda cinza quis que eu acabasse sozinha, sem o mundo, sem nada, apenas para não mais enxergar todo o cinza natural do mundo que cobre e contrasta com tantas luzes natalinas, cuja única função é desfocar todos os olhos da realidade e colocá-los numa luminosidade mentirosa: o mundo deveria ter acabado!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Quando busco preenchimento encontro vazio. Vazio que assusta, pesa e cansa os ombros. Busco entender, mas parece lei: aproximo-me e sinto que pesa tanto!

Pesa em mim um excesso de questionamento unido a um racionalismo que insiste em por meus pés no chão e esperar confiante por respostas lúcidas acerca da minha existência. Pergunto-me a todo instante se um dia descobrirei a diferença exata entre verdade e histeria, entre razão e emoção, entre entregar-se inteiro e gostar de um pensamento lógico.

E não tenho só estas duvidas, tenho uma vida inteira! ... E eu gostaria de não me importar tanto, mas a verdade é que assusto-me muito, sinto mesmo um peso enorme e tenho, por isso, os ombros tão cansados. E eu não sei livrar-me disso, eu não tenho nenhuma pista ou conhecimento exato, tenho apenas uma busca, mas não sei onde está a resposta. Sei que ela existe, aqui ou lá, ela existe. Isso não tira este meu medo-cansado, apenas permite que eu viva e espere o dia que meus ombros não mais estajam cansados e que esse vazio não mais seja tão enorme, não seja assim tão pesado.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Passei uma semana sem tocar e hoje, ao tentar tocar, percebi que é como se eu tivesse desaprendido. Várias notas saíam erradas, eu não me sentia adaptada ao teclado, foi como se eu precisasse reaprender como é que se toca, tudo novamente.

Acho que amar é assim: a falta de prática enferruja, é preciso reaprender.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Emudeço depois de muita felicidade e quando fico só não resta tristeza, resta silêncio mudo de saudade. Não sei se é bom, acho que não, pois fico só.
Resta um silêncio tal que só me enche os olhos e deixa-me deitar: não é lágrima triste, é lágrima de saudade alegre, lágrima de nostálgica vontade.
Pois eu respirei algo na vida que me fez querer viver. Não viver só, mas viver da novidade do que é comum e viver da companhia que de tão boa é como se tornássemos quase um!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Palavra, às vezes, é silêncio. Mas faz sentido, ouve-se tudo e pode-se até responder: olhar, às vezes, é palavra. Mas faz sentido e leio tudo.