Música antiga no rádio - são antigos sonhos, vozes não prontas.
Não sinto muito, nem pouco - às vezes, uns vazios.
Viver com medo da vida: que ilusão, a vida é mesmo para se correr. Quem chega parado?
Pois sim, eu corro - corro com medo, mas corro.
Não sei refletir com lucidez - logo, tudo passa, e o que fica é nostalgia.
Acho que não: ficará alívio. Nunca me encontro no presente - é uma pena!
Criei a ilusão de uma vida calma, com paz dentro e ao meu lado, mas quem chega aqui deve correr. Ele também corre.
E penso se não é isso, tudo isso, que a vida espera de nós.
São antigos sonhos, com a música antiga no rádio, eu penso:
- A vida não para!
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
terça-feira, 1 de julho de 2014
O mundo não anda fácil nem digerível. É homem-bomba explodindo em festas de casamento, é corrupção pra tudo que é lado, é muito desamor travestido de prazer, é uma urgência de ser feliz que impede a construção da felicidade mesma, que é mais vagarosa. Para onde estão indo todos nesta correria? Não sou a única que ainda vive, em certos aspectos, na era da pedra lascada, mas corro igual, porque se parar, me atropelam.
- Martha Medeiros
- Martha Medeiros
quarta-feira, 25 de junho de 2014
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Grazie, Signore, pois os teus lábios contorceram-se a fim de ajustar-se ao meu ser pecaminoso, por julgar-me não pelas minhas parcas boas obras mas pelo teu amor que é tua dádiva para mim, por teu insuportável perdão e infinita paciência para comigo, por outros que têm dons maiores do que eu e pela honestidade de reconhecer que sou um maltrapilho. Quando a última cortina cair e me chamares para casa, sejam minhas últimas palavras murmuradas nesta terra um clamor de corpo e alma: Grazie, Signore.
- Brennan Manning. In: O Evangelho Maltrapilho.
- Brennan Manning. In: O Evangelho Maltrapilho.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Dor.
Sou a incapaz, que não sabe agir!
Existe no mundo uma agonia tão profunda que me quebra todos os sentidos, torno-me absurdamente perplexa e levantar a cabeça é sustentar o peso do mundo. Não há dor em mim, há a dor do mundo. Há a dor dos fracos, perdidos, resignados à vida sem nenhuma rebeldia. O que eu tenho é o discurso dos que se deixaram perder: perder a fé, a esperança e o amor próprio.
Tenho a falta de medo de quem se deixou consumir pela frieza glacial do mundo e já consegue repetir sem emoção: eu quero mesmo é o inferno; eu quero mesmo a minha dor!
Eu tenho a tremedeira da dor do inferno do mundo que pode a qualquer momento arrastar-me até seu fundo de lama e apagar minha consciência e liberdade para em troca encher-me de um discurso infame de fim de mundo, de desassossego, de encantamento sexual profundo.
Mas eu tenho também, pulsando em minhas veias, o grito do sangue da cruz que é intensamente emocionado e cheio de esperança, mas que na minha perplexidade nem posso dá-lo com graça aos sofredores; tenho uma esperança viva que abre meus olhos até doerem e faz com que eu me sinta sempre estrangeira, mas na minha desilusão por tanto enxergar, nem posso mostrá-la aos aflitos com verdade.
Há um amor que queima fundo e que me diminui inteira por fazer-me consciente de que sozinha sou incapaz de curar até mesmo as pequenas feridas que me cercam, afligem e fazem com que eu sinta que a dor do outro é tão minha ...
Existe no mundo uma agonia tão profunda que me quebra todos os sentidos, torno-me absurdamente perplexa e levantar a cabeça é sustentar o peso do mundo. Não há dor em mim, há a dor do mundo. Há a dor dos fracos, perdidos, resignados à vida sem nenhuma rebeldia. O que eu tenho é o discurso dos que se deixaram perder: perder a fé, a esperança e o amor próprio.
Tenho a falta de medo de quem se deixou consumir pela frieza glacial do mundo e já consegue repetir sem emoção: eu quero mesmo é o inferno; eu quero mesmo a minha dor!
Eu tenho a tremedeira da dor do inferno do mundo que pode a qualquer momento arrastar-me até seu fundo de lama e apagar minha consciência e liberdade para em troca encher-me de um discurso infame de fim de mundo, de desassossego, de encantamento sexual profundo.
Mas eu tenho também, pulsando em minhas veias, o grito do sangue da cruz que é intensamente emocionado e cheio de esperança, mas que na minha perplexidade nem posso dá-lo com graça aos sofredores; tenho uma esperança viva que abre meus olhos até doerem e faz com que eu me sinta sempre estrangeira, mas na minha desilusão por tanto enxergar, nem posso mostrá-la aos aflitos com verdade.
Há um amor que queima fundo e que me diminui inteira por fazer-me consciente de que sozinha sou incapaz de curar até mesmo as pequenas feridas que me cercam, afligem e fazem com que eu sinta que a dor do outro é tão minha ...
terça-feira, 26 de março de 2013
Olha-me nos olhos e é inteiro. Pega em minhas mãos, envolve-me pelos braços e continua sendo inteiro. Gosto enquanto fala, enquanto cala, enquanto canta, enquanto abraça.
Gosto tanto de sua estatura e da força de seus abraços!
Sinto-me longe de minhas rígidas convicções quando tudo que tenho é saudade presente. Sinto-me repleta de sua ausência com qualquer palavra lida, sonhada ou pensada. É assim que sua ausência é presença pura e seus olhos, boca, rosto, mãos, braços, corpo inteiro e todo o jeito continuam sendo admirados: mesmo ausente é sempre inteiro, nunca me encontra fragmentado.
Gosto tanto de sua estatura e da força de seus abraços!
Sinto-me longe de minhas rígidas convicções quando tudo que tenho é saudade presente. Sinto-me repleta de sua ausência com qualquer palavra lida, sonhada ou pensada. É assim que sua ausência é presença pura e seus olhos, boca, rosto, mãos, braços, corpo inteiro e todo o jeito continuam sendo admirados: mesmo ausente é sempre inteiro, nunca me encontra fragmentado.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Silêncio
Vive em mim um Silêncio não-mudo, meus olhos O veem, há intensa vida, todo profundo. Não o ouço quando há barulho, movimentos ou sussurros; Ele só chega quando emudeço, eu só O vejo quando me desnudo.
Eu O vejo em diversas vidas indiferentes, em paisagens desprezadas, nas confusões de minha mente. Não O sinto quando Ele torna-se teoria infinita, homem absoluto, teologia classificadora ou quando é apenas objeto de estudo. Ele só chega quando não há nada, eu só O vejo quando perco tudo.
Eu O vejo em diversas vidas indiferentes, em paisagens desprezadas, nas confusões de minha mente. Não O sinto quando Ele torna-se teoria infinita, homem absoluto, teologia classificadora ou quando é apenas objeto de estudo. Ele só chega quando não há nada, eu só O vejo quando perco tudo.
sábado, 2 de março de 2013
medo
Não sei como as pessoas se veem no futuro. Não sei se todas conseguem fazer o movimento de imaginar exatamente como será realizar ou não seus grandes planos.
Eu não consigo.
Quando penso sobre o assunto vejo-me com mil e uma alternativas e nenhuma imagem clara sobre nada. É tudo tão incerto que chego a imaginar que eu não exista nesse lugar; que meu medo não permitirá que eu chegue muito longe para que eu não trema inteira com um sempre novo futuro iminente.
Já tive sonhos muito fortes por si mesmos, mas não me lembro como eles eram. Não sei como foi possível imaginar e depois, no futuro que é hoje presente, viver. Eu só sei lembrar que tenho medo. Tenho medo da solidão, tenho medo do erro incorrigível, tenho medo das coisas que acabam, tenho medo de tudo que se perde, tenho medo dos novos ambientes, tenho medo da minha falta de coragem e tenho medo de estar assim com tanto medo.
E em tudo que sinto há uma parcela de medo: medo que eu sempre fuja, medo que eu nunca consiga encarar a vida de frente e medo que eu nunca me ajude a responder verdadeiramente as questões que eu mesma resolvi fazer: por que, meu Deus, por quê?
Eu não consigo.
Quando penso sobre o assunto vejo-me com mil e uma alternativas e nenhuma imagem clara sobre nada. É tudo tão incerto que chego a imaginar que eu não exista nesse lugar; que meu medo não permitirá que eu chegue muito longe para que eu não trema inteira com um sempre novo futuro iminente.
Já tive sonhos muito fortes por si mesmos, mas não me lembro como eles eram. Não sei como foi possível imaginar e depois, no futuro que é hoje presente, viver. Eu só sei lembrar que tenho medo. Tenho medo da solidão, tenho medo do erro incorrigível, tenho medo das coisas que acabam, tenho medo de tudo que se perde, tenho medo dos novos ambientes, tenho medo da minha falta de coragem e tenho medo de estar assim com tanto medo.
E em tudo que sinto há uma parcela de medo: medo que eu sempre fuja, medo que eu nunca consiga encarar a vida de frente e medo que eu nunca me ajude a responder verdadeiramente as questões que eu mesma resolvi fazer: por que, meu Deus, por quê?
domingo, 17 de fevereiro de 2013
o novo, de novo.
Os dias passam tão rapidamente que eu esqueço de perceber a velocidade: estou mudando novamente ... e parecia tão cedo!
Sinto os dias pesando forte, queimo-me inteira com o mormaço da vida, quebro até os ossos com as minhas dores e medos mais secretos.
E hoje eu resolvi mudar.
Foram poucas palavras, rápidas, carregadas com meus traumas, medos e dores de uma caminhada inteira. Quando preciso não arranjo palavra certa, só falo seguindo uma lei que emana dos meus pensamentos ilógicos: por que todas essas coisas me matam tanto?
E eu só soube enfatizar a minha dor constante: eu não sei porque não me encaixo nunca, eu não sei porque eu não me acalmo nunca!
Mas hoje eu resolvi mudar, novamente. Resolvi começar tudo de novo, do zero, como comecei antes desse novo término. Com meus olhos úmidos, parecendo estar sempre cansada, eu continuo. Continuo porque não entendo o caminho, não enxergo o que virá, eu só caminho! Caminho porque meu coração sempre se desespera, e eu não consigo ir além se não me lembrar que existe um alvo. Sinto-me tão pequena quando olho para mim mesma e isso me faz gritar em silêncio e prostrar-me inteira com todos os meus medos: ESPERANÇA, o Salvador virá pela manhã!
Sinto os dias pesando forte, queimo-me inteira com o mormaço da vida, quebro até os ossos com as minhas dores e medos mais secretos.
E hoje eu resolvi mudar.
Foram poucas palavras, rápidas, carregadas com meus traumas, medos e dores de uma caminhada inteira. Quando preciso não arranjo palavra certa, só falo seguindo uma lei que emana dos meus pensamentos ilógicos: por que todas essas coisas me matam tanto?
E eu só soube enfatizar a minha dor constante: eu não sei porque não me encaixo nunca, eu não sei porque eu não me acalmo nunca!
Mas hoje eu resolvi mudar, novamente. Resolvi começar tudo de novo, do zero, como comecei antes desse novo término. Com meus olhos úmidos, parecendo estar sempre cansada, eu continuo. Continuo porque não entendo o caminho, não enxergo o que virá, eu só caminho! Caminho porque meu coração sempre se desespera, e eu não consigo ir além se não me lembrar que existe um alvo. Sinto-me tão pequena quando olho para mim mesma e isso me faz gritar em silêncio e prostrar-me inteira com todos os meus medos: ESPERANÇA, o Salvador virá pela manhã!
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