Não sei como as pessoas se veem no futuro. Não sei se todas conseguem fazer o movimento de imaginar exatamente como será realizar ou não seus grandes planos.
Eu não consigo.
Quando penso sobre o assunto vejo-me com mil e uma alternativas e nenhuma imagem clara sobre nada. É tudo tão incerto que chego a imaginar que eu não exista nesse lugar; que meu medo não permitirá que eu chegue muito longe para que eu não trema inteira com um sempre novo futuro iminente.
Já tive sonhos muito fortes por si mesmos, mas não me lembro como eles eram. Não sei como foi possível imaginar e depois, no futuro que é hoje presente, viver. Eu só sei lembrar que tenho medo. Tenho medo da solidão, tenho medo do erro incorrigível, tenho medo das coisas que acabam, tenho medo de tudo que se perde, tenho medo dos novos ambientes, tenho medo da minha falta de coragem e tenho medo de estar assim com tanto medo.
E em tudo que sinto há uma parcela de medo: medo que eu sempre fuja, medo que eu nunca consiga encarar a vida de frente e medo que eu nunca me ajude a responder verdadeiramente as questões que eu mesma resolvi fazer: por que, meu Deus, por quê?
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