... porque eu vivo nesse século digital.
Meninas pequenas, todas que conheci, tinham seu pequeno diário, a quem chamavam de "querido". Eu não fujo à regra, sou então a mais comum: tive vários, dos 9 aos 15 anos. No meu 1º querido diário (ganhei de uma professora da 3ª série no dia das crianças) tinha tudo sobre meu "primeiro amor platônico": Leonardo.
Ainda guardo esse diário, como todos os outros, mas ele é mais especial, não o amor, o DIÁRIO!
Com uma letra de quem não sabia muito e queria tudo , eu escrevia o título centralizado: "Meu querido diário". Pulava uma linha e escrevia de forma corrida que havia encontrado, então, o Leonardo no corredor, na rua, no bebedouro e que ele me amava muito e era recíproco (claro que "recíproco" não está no diário).
Enfim, eu pouco sei desse tal fulano. Mas a lembrança desse meu 1º diário veio me trazer à mente, ou tentar, fazer-me lembrar em que momento da vida eu me desinteressei de escrever assim, uma coisa boba, para o meu querido diário.
Coisa que ninguém pudesse ler, coisas que eu não conversaria sozinha na frente do espelho, coisas que não fazem rima, são assim hoje e agora, coisas que eu não apagaria do diário, da folha ou duma página, coisas que o coração não apaga mas a mente esquece.
Eu não quero apagar, eu só quero escrever corrido ... e não me envergonhar, e contar todos os detalhes, e anos depois ler e perceber que era pequena, mas os sentimentos eram nobres e o amor sempre a razão ... A razão do aqui e do agora!
Do futuro nada sei, não escrevi e nem posso...
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