Hoje olhei a cidade e senti ânsia. Ânsia forte, de vômito na boca. Embrulhou o estômago, engoli verdade e senti pânico (do antigo) da vida, do ser, disso que gostamos: nos enganar que vivemos e, na verdade, morrer.
Do meu lado, pessoas felizes gritavam por revolução: votem, votem, comprem, bebam, creiam!
Do outro lado, uma pessoa que não significa mais que um cachorro ou qualquer outro bicho que fuça lixo, fuçava a lixeira da Avenida mais visitada da grande cidade.
Alguém pode me dizer se dá pra viver sem pânico? Tenho pânico, horror, tenho tristeza e sofro desse quadro clínico depressivo que não passará enquanto existir humano-lixo e bicho-sub-lixo.
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