Todas as letras armadas não descrevem tanto pesar. Não sei de fato quando a dúvida tornou-se vida, não sei se vida. Vida ou morte, é existência.
Então paro e pergunto-me: se a transcendência esgota-se em mim, por que perguntar tanto? Não eu, o tudo de dentro. O de fora até incomoda, mas o de dentro é que não me deixa dormir; o de dentro é que chora sozinho; o de dentro não entende futuro e passado, é pontual.
O tudo de dentro é tão grande pensador que não é nada: é dor solta, inventada, criada. É toda minha, todo o eu, quebrada.
sábado, 1 de setembro de 2012
viva ou morta
A vida não vale a pena
Pequena
Intransigente
Saudosa
A vida não vale a pena
Fingida
Desesperada
Mentirosa
A vida não vale a pena
Escura
Duvidosa
Morta.
Pequena
Intransigente
Saudosa
A vida não vale a pena
Fingida
Desesperada
Mentirosa
A vida não vale a pena
Escura
Duvidosa
Morta.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Humano-lixo
Hoje olhei a cidade e senti ânsia. Ânsia forte, de vômito na boca. Embrulhou o estômago, engoli verdade e senti pânico (do antigo) da vida, do ser, disso que gostamos: nos enganar que vivemos e, na verdade, morrer.
Do meu lado, pessoas felizes gritavam por revolução: votem, votem, comprem, bebam, creiam!
Do outro lado, uma pessoa que não significa mais que um cachorro ou qualquer outro bicho que fuça lixo, fuçava a lixeira da Avenida mais visitada da grande cidade.
Alguém pode me dizer se dá pra viver sem pânico? Tenho pânico, horror, tenho tristeza e sofro desse quadro clínico depressivo que não passará enquanto existir humano-lixo e bicho-sub-lixo.
Do meu lado, pessoas felizes gritavam por revolução: votem, votem, comprem, bebam, creiam!
Do outro lado, uma pessoa que não significa mais que um cachorro ou qualquer outro bicho que fuça lixo, fuçava a lixeira da Avenida mais visitada da grande cidade.
Alguém pode me dizer se dá pra viver sem pânico? Tenho pânico, horror, tenho tristeza e sofro desse quadro clínico depressivo que não passará enquanto existir humano-lixo e bicho-sub-lixo.
sábado, 11 de agosto de 2012
liberdade
Eu queria ser livre. Experimentar a maravilha do não-tempo. Eu queria logo!
Um medo desesperado do combate que é viver atormenta-me toda hora: conseguir, vencer, viver, crer, criar, amar, sorrir, correr ... é muita coisa, dá medo.
E é tão fácil para tantas pessoas. Acordar correndo todos os dias e dormir fadigado todas as noites soam com naturalidade, é rotina. Pois para mim é sofrimento, meus ossos doem e meus olhos umedecem, então eu lembro das delícias do não-tempo, do vulgarizado morrer, das belezas do Eterno, e penso: Deus, me tira daqui, eu quero viver aí! Penso isso sem pecado, sem tristeza, sem pesar; Almejo com ansiedade o Grande Dia: não me canso de esperar.
Um medo desesperado do combate que é viver atormenta-me toda hora: conseguir, vencer, viver, crer, criar, amar, sorrir, correr ... é muita coisa, dá medo.
E é tão fácil para tantas pessoas. Acordar correndo todos os dias e dormir fadigado todas as noites soam com naturalidade, é rotina. Pois para mim é sofrimento, meus ossos doem e meus olhos umedecem, então eu lembro das delícias do não-tempo, do vulgarizado morrer, das belezas do Eterno, e penso: Deus, me tira daqui, eu quero viver aí! Penso isso sem pecado, sem tristeza, sem pesar; Almejo com ansiedade o Grande Dia: não me canso de esperar.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Vazio completo
Ter o coração vazio é grandioso.
Não sofro de presença, não forço palavra morna, não seleciono sorriso. Qualquer coisa serve, qualquer olhar é confidente, qualquer mão é forte, qualquer ombro é alento. E alento pode partir ... ou ficar, sei lá: o vazio de mim comove.
Não sofro de presença, não forço palavra morna, não seleciono sorriso. Qualquer coisa serve, qualquer olhar é confidente, qualquer mão é forte, qualquer ombro é alento. E alento pode partir ... ou ficar, sei lá: o vazio de mim comove.
Tempo, pare.
Tenho corrido tão afoita que até esqueço de lembrar de história e depois sonhar bonito. Até tem história , comprida e inventada, e tem sonho, mas esqueço tudo. O tempo devora cada segundo da minha importância, torna-me irrelevante, sem saudade, sem nada.
Brigo contra ele, mas sinto-me atrasada: ele sempre me passa, ele sempre me ganha, ele sempre me mata.
Brigo contra ele, mas sinto-me atrasada: ele sempre me passa, ele sempre me ganha, ele sempre me mata.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Tempo
Enxergar a verdade é perturbador. Não existe alento para a desilusão de não ser enganado pela falsa satisfação mundial.
Entender o mundo cru, sem máscaras, é o mesmo que nascer sabendo que vai morrer! Ouvi dizer que não é certo conscientizar uma criança muito pequena sobre a verdadeira face da morte. "Os humanos vão para nunca mais" é trocado por "Eles viraram estrelas, estão em um lugar melhor".
Doeria menos sorrir sem entendimento, competir e não doeria nada se me tirassem a clareza do tempo, a verdade do Infinito, o plano de Criação... doeria nada, mas não faria sentido e a vida gritaria MORTE, sem salvação, sem abrigo!
Entender o mundo cru, sem máscaras, é o mesmo que nascer sabendo que vai morrer! Ouvi dizer que não é certo conscientizar uma criança muito pequena sobre a verdadeira face da morte. "Os humanos vão para nunca mais" é trocado por "Eles viraram estrelas, estão em um lugar melhor".
Doeria menos sorrir sem entendimento, competir e não doeria nada se me tirassem a clareza do tempo, a verdade do Infinito, o plano de Criação... doeria nada, mas não faria sentido e a vida gritaria MORTE, sem salvação, sem abrigo!
Nostalgia.
Voltei à infância e sorri. Encontrei meus grandes amigos, todos primos e regozijei o prazer de ser e poder fazê-los.
Hoje acordei em meu mundo fechado, adulto, solitário, mesmo sendo tão habitado. Solitário de riso bobo, fechado de liberdade, habitado sempre de vazio e adulto ... adulto? Eu nunca quis chegar aqui, eu nunca quis crescer!
Hoje acordei em meu mundo fechado, adulto, solitário, mesmo sendo tão habitado. Solitário de riso bobo, fechado de liberdade, habitado sempre de vazio e adulto ... adulto? Eu nunca quis chegar aqui, eu nunca quis crescer!
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Felicidade
Perguntaram-me o que é felicidade e ... pensei muito, pensei, pensei e calei.
O que é felicidade? É medo e eu não conheço.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Silêncio
Dia de silêncio é sempre frio. Frio de mim e de sentimento.
Dia de silêncio nunca é meu.
Dia de silêncio é sempre noite e ...
não faz sentido!
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