Conhecia e encarava de perto um sentimento tão bonito que eu nem sabia nomeá-lo. Era, dentre tudo o que já vivi, a alegria mais bonita e, dentre tudo que já sonhei, a presença ausente mais querida. Até ali eu havia vivido tão pouco que acreditava não existir no mundo essa capacidade tão intensa de carregar minha mente, meus olhos e meu corpo à esfera de completa vontade de presença. Era ele, então, homem e menino, tinha tanta alegria que me transportava a um modo de vida que eu imaginava ser pura utopia (mas não era!), dizia tudo com seus olhos, mesmo em silêncio era todo sentimento e eu não me conhecia ... eu, a fraca, que nunca soube fazer verdade com alegrias.
Mas ele é todo menino e eu nunca soube ser adulta. Ele não sabe nada do futuro e eu gosto tanto de quem não sabe! Ele me leva ao morro mais escuro e tira meu medo mostrando-me que é no escuro que posso ver o céu de olhos abertos. Ele me abraça inteira e eu não tenho medo do mundo. Ele é intenso, tão intenso, que me comove: como pode ser tão forte?
E foi assim que sua ausência tornou-se presença, pois de tanto entendê-lo ele sou eu e consigo enxergar-me com ele: cantando, dançando, dormindo, vivendo, sorrindo, brincando, pensando e integralmente amando.
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