"E o tempo se vai, mas algo eu sempre guardarei: o Teu amor que um dia eu encontrei!"

sábado, 13 de novembro de 2010

o meu sentido em viver

Quando joguei ao mar meus desamores,
Corri pra longe de olhos gigantes,
Fui contra o vento da evolução,
Achei-me em meio ao descontrole,
Abri a janela ao levantar-me,
Ouvi o som que aliviou-me,
Ri do hoje, ri do ontem,
Ri do nada, ri da vida,
Senti o vento, desejei a brisa,
Fui do tédio a histeria, em segundos
Deitei no chão, senti temores,
Olhei em volta, percebi o mundo
Olhei pra dentro e senti forte
Que eu tinha um coração,
e pude perceber o dos outros

... Então meus dias fizeram sentido!
E pensar que a vida passa.
E os anos, as horas, os minutos, os segundos, e vai passando.
E lembrar que eu também tinha pressa, e montei blocos, e comprei cimento e no meio do tempo eu misturei as medidas das horas, do sol, dos minutos e da lua e , a obra pareceu atrasar-se.

Ah, mas ainda saber que o tempo é meu amigo, e, se no meio da curva errei, nao foi por excessos ou falta, foi por sentir e querer envolver-me, enquanto assisto o espetáculo dos dias, com alguem, com alguns, com todos e faço sorrisos, e sinto amores.

E nesse meu medo, nessa tao grande incerteza, nessa hora tao apressada, esse minuto me encara e sussurra: Corra!, e eu tento não ter pressa, e fazer dos meus dias a Valsa, que nao compus, mas desejei. E entender, e nao ser teórica: "Não importa se realizei, o importante é que sonhei!", antes de tudo, o importante, com certeza: AMEI.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Saudade

Saudade: do azul, do cinza, do verde
Aquele ali que moldou-me à minha janela
Daquele dia mal amanhecido, assistido
... tão amado!

Da doce voz, daquela ... aquela que encantou-me a alma
Bem aqui, ao lado, sentida, desejada
... esquecida

Das batidas normais, não sopradas, sussurradas
... tão queridas!
E volte, e chame, e ame, e diga:
- Senti saudade, saudade!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

... Pode ficar à vontade, meu amor é saudade!

desabafo.

Preciso saber, amanhã: Portugues, Filosofia, Historia, Geografia & Biologia. Intimizar com todas elas e amá-las por no máximo 3 minutos cada. Ah, pavoroso vestibular!

busca

Quero ser impessoal, hoje
pois a pessoalidade me consome
Esse olhar nos olhos, esse cuidado de falar
Essa dor de querer entender
Esse desespero de me culpar
Essa lamúria, cantiga antiga
que eu disse querer matar
eu nem sei se ainda aguento
eu só sei não judiar

Aquilo que já foi passado
O aqui que eu nao soube amar
E nessa busca, nesse medo mudado
eu busco em mim, ali, lá
... no fundo só quero repousar!

domingo, 31 de outubro de 2010

pensamento branco

As palavras aparecem munidas de espadas
em qualquer pensamento branco
em qualquer momento sem Lua
em qualquer ambiente festivo
Aparecem tortas e adulteradas

E tira-nos a serenidade da face
A gargalhada muda cotidiana
O riso de canto de boca que agrada sem carecer muito

E traz a nós umas lágrimas implícitas
Um desassossego íntimo e peculiar
Expõe um grito que sempre deu voltas em nossas cabeças
Derrubam os muros que permitiam a fé no SIM
Esgana a alegria que ainda vivia a rodear-me:
- Ah, mas ainda assim sou amada!

E foram palavras que tiraram meus pés do chão
Daquele jeito pouco sério, pouco amigo, pouco coração
Da minha carência e deprimência de sentir-me sempre na contra mão

Palavras ...
levaram ontem minha velha ilusão, aquele velho espírito de falso-amor.

sábado, 30 de outubro de 2010

Ausencia

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.


- VINICIUS DE MORAES

sábado, 23 de outubro de 2010

Suportar.

Onde estão minhas palavras, todas elas, não sei dizer.
Não sei.
Se o poetizar fosse meu, eternizaria em decassílabos e chamaria de "Coração do menino/ Menino do coração - Do meu".
Porém faltam-me palavras.
Palavras?
É.
E, hoje, roubam-me a alma.

Mas que vontade de olhá-lo nos olhos
E como na mais bela poesia
Deixar dizer o que sinto quando não sou egoísta:
- Suportemo-nos!

E suportar sua insegurança e essa minha insensatez
E suportando seu ceticismo e a minha ilucidez
E amando sua tristeza e minha louca escassez
E suportar seu pessimismo e essa minha morbidez

Mas eu não sei ...
E quando o olho com amor, é o decassílabo já citado
E se por horas emudeço, empobreço de vocabulário.

Não sei.
Eterniza-se aqui em gestos se o nosso assunto é tão vago.
Eu te gostei desse jeito, sem jeito, e te levo aqui, no peito
... por não saber nos suportar.