Mil e um dias em dois. O ciclo não fecha porque tem par e ímpar.
* 21/10
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Quando espero a chuva chegar
Tu vens com o teu vento
Quando espero tua voz estrondar
Tu vens com o silêncio
Eu espero em Ti
Embora sem saber
Como Tu dirás eu não sei
Mas esperarei
Quando espero o mar se abrir
Vejo os meus pés sobre as águas
Quando espero o fogo arder
Ouço a brisa suave
Mesmo sem saber como Tu dirás
Dentro de mim reinará a Tua paz
Que me faz saber
Que esperar em ti
É sempre caminhar
- Palavrantiga
Tu vens com o teu vento
Quando espero tua voz estrondar
Tu vens com o silêncio
Eu espero em Ti
Embora sem saber
Como Tu dirás eu não sei
Mas esperarei
Quando espero o mar se abrir
Vejo os meus pés sobre as águas
Quando espero o fogo arder
Ouço a brisa suave
Mesmo sem saber como Tu dirás
Dentro de mim reinará a Tua paz
Que me faz saber
Que esperar em ti
É sempre caminhar
- Palavrantiga
domingo, 14 de outubro de 2012
Amor para mim é exatamente isto. Ser capaz de permitir que aquele que eu amo exista como tal, como ele mesmo. E isto supõe mortes em mim. Se eu permito que o outro se expresse tal qual ele é, isso é o mais pleno amor. Dar liberdade dele existir do meu lado como ele é. Este é o tal amor incondicional. Isto é muito difícil, porém a experiência é interessante demais – os erros e os acertos. Amor é muito interessante, é o embate. Pode sofrer de tudo menos de tédio porque não há como ter tédio. Amor é muito divertido, é muito complicado.
- Adélia Prado
- Adélia Prado
Redenção
Estou com tanto medo de viver, de ver a vida de frente, de encarar o mundo desabando, que só tenho dois sentimentos intensos: medo mesmo e saudade.
Medo pois não sei dar outro nome. Medo de, como agora, ter sempre certeza da minha incapacidade frente à dor do mundo, frente à fome, frente ao abandono. Esse medo faz-me questionar: Por quê, Deus? E então eu imagino Deus perguntando-me de volta: Por quê pensas que é minha culpa? ... E logo imagino um Cristo menino, encarnado, transcendência pura em corpo, e tenho certeza que também não pode ser culpa dEle: Ele já chorou em vida!
Medo pois não sei dar outro nome. Medo de, como agora, ter sempre certeza da minha incapacidade frente à dor do mundo, frente à fome, frente ao abandono. Esse medo faz-me questionar: Por quê, Deus? E então eu imagino Deus perguntando-me de volta: Por quê pensas que é minha culpa? ... E logo imagino um Cristo menino, encarnado, transcendência pura em corpo, e tenho certeza que também não pode ser culpa dEle: Ele já chorou em vida!
sábado, 13 de outubro de 2012
Romanos.
"Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos."
Pois eu também "tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós será revelada". É que "eu também gemo em mim mesma,esperando a adoção, a saber, a redenção do meu corpo".
- Hoje eu não tenho palavras, ainda assim tenho a Palavra, o Lógos, o Verbo, a Vida no silêncio. Isso é plenitude em vacuidade: posso dizer que tenho tudo!
Pois eu também "tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós será revelada". É que "eu também gemo em mim mesma,esperando a adoção, a saber, a redenção do meu corpo".
- Hoje eu não tenho palavras, ainda assim tenho a Palavra, o Lógos, o Verbo, a Vida no silêncio. Isso é plenitude em vacuidade: posso dizer que tenho tudo!
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Louvado sejas Deus, meu Senhor,
porque o meu coração está cortado a lâmina,
mas sorrio no espelho ao que,
à revelia de tudo, se promete.
Porque sou desgraçado
como um homem tangido para a forca,
mas me lembro de uma noite na roça,
o luar nos legumes e um grilo,
minha sombra na parede.
Louvado sejas, porque eu quero pecarcontra o afinal sítio aprazível dos mortos,
violar as tumbas com o arranhão das unhas,
mas vejo Tua cabeça pendida
e escuto o galo cantar
três vezes em meu socorro.
Louvado sejas porque a vida é horrível,
porque mais é o tempo que eu passo recolhendo despojos,
– velho ao fim da guerra como uma cabra –
mas limpo os olhos e o muco do meu nariz,
por um canteiro de grama.
Louvados sejas porque eu quero morrer,
mas tenho medo e insisto em esperar o prometido.
Uma vez, quando eu era menino, abri a porta de noite,
a horta estava branca de luar
e acreditei sem nenhum sofrimento.
Louvado sejas!
- Adélia Prado
porque o meu coração está cortado a lâmina,
mas sorrio no espelho ao que,
à revelia de tudo, se promete.
Porque sou desgraçado
como um homem tangido para a forca,
mas me lembro de uma noite na roça,
o luar nos legumes e um grilo,
minha sombra na parede.
Louvado sejas, porque eu quero pecarcontra o afinal sítio aprazível dos mortos,
violar as tumbas com o arranhão das unhas,
mas vejo Tua cabeça pendida
e escuto o galo cantar
três vezes em meu socorro.
Louvado sejas porque a vida é horrível,
porque mais é o tempo que eu passo recolhendo despojos,
– velho ao fim da guerra como uma cabra –
mas limpo os olhos e o muco do meu nariz,
por um canteiro de grama.
Louvados sejas porque eu quero morrer,
mas tenho medo e insisto em esperar o prometido.
Uma vez, quando eu era menino, abri a porta de noite,
a horta estava branca de luar
e acreditei sem nenhum sofrimento.
Louvado sejas!
- Adélia Prado
terça-feira, 9 de outubro de 2012
paradoxo
Sou do tipo humano que ri até chorar. Isso causa desconfiança.
Rir até chorar é como amar até odiar, criar até matar, ser até não ser, pensar até emburrecer e todos os outros paradoxos presentes no mundo.
Admiro demais o sim que é não, o lixo que é importante, o importante que pode ser lixo e a Transcendência que manifesta-se fortemente na imanência.
Desconfio que eu seja paradoxalmente intrigante: nordestina que é paulistana, mulher que não é feminina e atribulada fortemente esperançosa.
... Eu precisava falar de dicotomia, paradoxo e duplicidade, pois vivo no tempo e não sou do tempo. Esse paradoxo me move e só por ele eu posso rir até chorar, ser até não ser ou não ser aqui para ser LÁ, pensar até emburrecer (pois meu pensamento é ciência burra), ter tudo até ter nada e ter nada até ter tudo. E tudo é amor e amor é tudo: tudo no limite é nada. Isso explica amar até odiar.
Rir até chorar é como amar até odiar, criar até matar, ser até não ser, pensar até emburrecer e todos os outros paradoxos presentes no mundo.
Admiro demais o sim que é não, o lixo que é importante, o importante que pode ser lixo e a Transcendência que manifesta-se fortemente na imanência.
Desconfio que eu seja paradoxalmente intrigante: nordestina que é paulistana, mulher que não é feminina e atribulada fortemente esperançosa.
... Eu precisava falar de dicotomia, paradoxo e duplicidade, pois vivo no tempo e não sou do tempo. Esse paradoxo me move e só por ele eu posso rir até chorar, ser até não ser ou não ser aqui para ser LÁ, pensar até emburrecer (pois meu pensamento é ciência burra), ter tudo até ter nada e ter nada até ter tudo. E tudo é amor e amor é tudo: tudo no limite é nada. Isso explica amar até odiar.
domingo, 7 de outubro de 2012
não-dito
Eu não digo
Mas dito está
Mesmo quando não digo
O não dito é mais aparente que o dito
E por enquanto fico com o não dito
Até que o dito e o não dito se beijem
E tudo o que não foi dito
Estava sempre sendo dito
Em cada não dito
Pois o dito e o não dito
São cúmplices e não rivais de um mesmo fim.
(Dito)
- Riva
Mas dito está
Mesmo quando não digo
O não dito é mais aparente que o dito
E por enquanto fico com o não dito
Até que o dito e o não dito se beijem
E tudo o que não foi dito
Estava sempre sendo dito
Em cada não dito
Pois o dito e o não dito
São cúmplices e não rivais de um mesmo fim.
(Dito)
- Riva
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
desconcerto
Avalio tanto que me desconcentro ou quase que desconcerto, às vezes eu quebro.
Quebro como uma batida palpitada, a qual sempre sinto o coração bater. Não é um palpitar passageiro: ouço duas batidas, mas é um só peito.
Então eu penso que aparentemente é um só coração e um só peito e, portanto, um só ritmo na batida. Mas então ... então eu desconcentro: são duas batidas, quando não são várias delas, todas descompassadas.
Não sei como perdi o foco e vim falar da batida, ah, sei: eu ia falar do sabiá, mas a batida me desconcentrou ou desconcertou.
Desconcertada é adjetivo forte, que pede um concerto (musical mesmo) para poder voltar ao quase-ser.
Eu não consigo pensar em mais nada, eu não consigo pensar no aqui, eu não consigo pensar no tempo, eu não consigo querer mais nada. Por não ter um culpado, eu falo da batida: foi a batida dupla-apressada que me deixou assim desconcertada!
Quebro como uma batida palpitada, a qual sempre sinto o coração bater. Não é um palpitar passageiro: ouço duas batidas, mas é um só peito.
Então eu penso que aparentemente é um só coração e um só peito e, portanto, um só ritmo na batida. Mas então ... então eu desconcentro: são duas batidas, quando não são várias delas, todas descompassadas.
Não sei como perdi o foco e vim falar da batida, ah, sei: eu ia falar do sabiá, mas a batida me desconcentrou ou desconcertou.
Desconcertada é adjetivo forte, que pede um concerto (musical mesmo) para poder voltar ao quase-ser.
Eu não consigo pensar em mais nada, eu não consigo pensar no aqui, eu não consigo pensar no tempo, eu não consigo querer mais nada. Por não ter um culpado, eu falo da batida: foi a batida dupla-apressada que me deixou assim desconcertada!
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