Os dias passam tão rapidamente que eu esqueço de perceber a velocidade: estou mudando novamente ... e parecia tão cedo!
Sinto os dias pesando forte, queimo-me inteira com o mormaço da vida, quebro até os ossos com as minhas dores e medos mais secretos.
E hoje eu resolvi mudar.
Foram poucas palavras, rápidas, carregadas com meus traumas, medos e dores de uma caminhada inteira. Quando preciso não arranjo palavra certa, só falo seguindo uma lei que emana dos meus pensamentos ilógicos: por que todas essas coisas me matam tanto?
E eu só soube enfatizar a minha dor constante: eu não sei porque não me encaixo nunca, eu não sei porque eu não me acalmo nunca!
Mas hoje eu resolvi mudar, novamente. Resolvi começar tudo de novo, do zero, como comecei antes desse novo término. Com meus olhos úmidos, parecendo estar sempre cansada, eu continuo. Continuo porque não entendo o caminho, não enxergo o que virá, eu só caminho! Caminho porque meu coração sempre se desespera, e eu não consigo ir além se não me lembrar que existe um alvo. Sinto-me tão pequena quando olho para mim mesma e isso me faz gritar em silêncio e prostrar-me inteira com todos os meus medos: ESPERANÇA, o Salvador virá pela manhã!
domingo, 17 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
PARA MARIA DA GRAÇA
Agora que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no país das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: “Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?”.
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é o lugar comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás.
Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável.
Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Somos todos bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: “Oh, I beg your pardon!” Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato.
Foi o que o rato perguntou à Alice: “Gostarias de gatos se fosses eu? “.
Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namoradas, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! Mas quem ganhou?” É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhastes.
Disse o ratinho: “Minha história é longa e triste!” Ouvirás isso milhares de vezes.
Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance”. Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: “Minha vida daria um romance!” Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.
Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mais devagar, muito devagar. Quero dizer seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.
E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte: É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.
Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas.
Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.
Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”.
Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.
- Paulo Mendes de Campos
"Viver é falar de corda em casa de enforcado"
Agora que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no país das Maravilhas.
Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.
Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.
A realidade, Maria, é louca.
Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: “Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?”.
Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é o lugar comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão entranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás.
Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.
A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável.
Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.
Somos todos bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.
Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.
A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: “Oh, I beg your pardon!” Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato.
Foi o que o rato perguntou à Alice: “Gostarias de gatos se fosses eu? “.
Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namoradas, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! Mas quem ganhou?” É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhastes.
Disse o ratinho: “Minha história é longa e triste!” Ouvirás isso milhares de vezes.
Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance”. Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois o romance é só o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: “Minha vida daria um romance!” Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.
Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mais devagar, muito devagar. Quero dizer seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.
E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte: É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.
Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas.
Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.
Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”.
Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.
- Paulo Mendes de Campos
"Viver é falar de corda em casa de enforcado"
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
2013
Todo dia treino minha mente para não enlouquecer. É sempre um treino mais árduo, pede mais dedicação, menos brincadeira, mais importância, menos comodidade. Todos os dias percebo o quanto a vida existe e grita latente encarando meus olhos: ESCOLHE VIDA!
Sei que o treino precisa de mais esforço quando acordo sem perspectiva, choro pelo fim de um ano inteiro e temo a chegada de novos dias, de nova vida. Entendo que devo buscar mais e acomodar-me menos quando olho o horizonte e meus olhos umedecem, tenho sonhos e sinto medo, encaro o céu escuro sem querer erguer a cabeça.
Percebo que preciso amadurecer e sofrer menos quando já entendi que eu nunca controlarei meus dias, que eu não posso ser temporal, e ainda assim tremo com medo de mim mesma, sentindo pena da minha falta de entendimento, da minha mortalidade, da minha ignorância e egoísmo.
Assumo o quanto sou inacabada por dentro quando eu já gritei para a vida e para mim mesma "Não me importo mais com o jogo" e ainda assim fraquejo na certeza que me foi dada: Não cuidará de mim Aquele que nem dos corvos se esquece?
Então meu treino continua mais intenso, pois eu devo esperar e confiar, e isso é VIDA.
"A vida vale mais do que o sustento e o corpo mais do que as vestes" (Lc 12:23)
Sei que o treino precisa de mais esforço quando acordo sem perspectiva, choro pelo fim de um ano inteiro e temo a chegada de novos dias, de nova vida. Entendo que devo buscar mais e acomodar-me menos quando olho o horizonte e meus olhos umedecem, tenho sonhos e sinto medo, encaro o céu escuro sem querer erguer a cabeça.
Percebo que preciso amadurecer e sofrer menos quando já entendi que eu nunca controlarei meus dias, que eu não posso ser temporal, e ainda assim tremo com medo de mim mesma, sentindo pena da minha falta de entendimento, da minha mortalidade, da minha ignorância e egoísmo.
Assumo o quanto sou inacabada por dentro quando eu já gritei para a vida e para mim mesma "Não me importo mais com o jogo" e ainda assim fraquejo na certeza que me foi dada: Não cuidará de mim Aquele que nem dos corvos se esquece?
Então meu treino continua mais intenso, pois eu devo esperar e confiar, e isso é VIDA.
"A vida vale mais do que o sustento e o corpo mais do que as vestes" (Lc 12:23)
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
fim do mundo
O cinza dos meus olhos só soube ser ofuscado pelo brilho da Avenida. Enquanto uma massa sorria, a outra morria. Morria de tédio, morria de medo e morria de fome. E eu? Eu piscava os olhos cinzas para ver se iluminava - não iluminou.
Andei desatenta para não ter certeza do medo intenso que me tomava inteira: destruímos nossa história com hipocrisia!
Foi então que, ao atravessar a Avenida, lembrei-me que hoje seria o dia do fim do mundo, mas o fim não aconteceu. Minha tristeza toda cinza quis que eu acabasse sozinha, sem o mundo, sem nada, apenas para não mais enxergar todo o cinza natural do mundo que cobre e contrasta com tantas luzes natalinas, cuja única função é desfocar todos os olhos da realidade e colocá-los numa luminosidade mentirosa: o mundo deveria ter acabado!
Andei desatenta para não ter certeza do medo intenso que me tomava inteira: destruímos nossa história com hipocrisia!
Foi então que, ao atravessar a Avenida, lembrei-me que hoje seria o dia do fim do mundo, mas o fim não aconteceu. Minha tristeza toda cinza quis que eu acabasse sozinha, sem o mundo, sem nada, apenas para não mais enxergar todo o cinza natural do mundo que cobre e contrasta com tantas luzes natalinas, cuja única função é desfocar todos os olhos da realidade e colocá-los numa luminosidade mentirosa: o mundo deveria ter acabado!
domingo, 16 de dezembro de 2012
Quando busco preenchimento encontro vazio. Vazio que assusta, pesa e cansa os ombros. Busco entender, mas parece lei: aproximo-me e sinto que pesa tanto!
Pesa em mim um excesso de questionamento unido a um racionalismo que insiste em por meus pés no chão e esperar confiante por respostas lúcidas acerca da minha existência. Pergunto-me a todo instante se um dia descobrirei a diferença exata entre verdade e histeria, entre razão e emoção, entre entregar-se inteiro e gostar de um pensamento lógico.
E não tenho só estas duvidas, tenho uma vida inteira! ... E eu gostaria de não me importar tanto, mas a verdade é que assusto-me muito, sinto mesmo um peso enorme e tenho, por isso, os ombros tão cansados. E eu não sei livrar-me disso, eu não tenho nenhuma pista ou conhecimento exato, tenho apenas uma busca, mas não sei onde está a resposta. Sei que ela existe, aqui ou lá, ela existe. Isso não tira este meu medo-cansado, apenas permite que eu viva e espere o dia que meus ombros não mais estajam cansados e que esse vazio não mais seja tão enorme, não seja assim tão pesado.
Pesa em mim um excesso de questionamento unido a um racionalismo que insiste em por meus pés no chão e esperar confiante por respostas lúcidas acerca da minha existência. Pergunto-me a todo instante se um dia descobrirei a diferença exata entre verdade e histeria, entre razão e emoção, entre entregar-se inteiro e gostar de um pensamento lógico.
E não tenho só estas duvidas, tenho uma vida inteira! ... E eu gostaria de não me importar tanto, mas a verdade é que assusto-me muito, sinto mesmo um peso enorme e tenho, por isso, os ombros tão cansados. E eu não sei livrar-me disso, eu não tenho nenhuma pista ou conhecimento exato, tenho apenas uma busca, mas não sei onde está a resposta. Sei que ela existe, aqui ou lá, ela existe. Isso não tira este meu medo-cansado, apenas permite que eu viva e espere o dia que meus ombros não mais estajam cansados e que esse vazio não mais seja tão enorme, não seja assim tão pesado.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Passei uma semana sem tocar e hoje, ao tentar tocar, percebi que é como se eu tivesse desaprendido. Várias notas saíam erradas, eu não me sentia adaptada ao teclado, foi como se eu precisasse reaprender como é que se toca, tudo novamente.
Acho que amar é assim: a falta de prática enferruja, é preciso reaprender.
Acho que amar é assim: a falta de prática enferruja, é preciso reaprender.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Emudeço depois de muita felicidade e quando fico só não resta tristeza, resta silêncio mudo de saudade. Não sei se é bom, acho que não, pois fico só.
Resta um silêncio tal que só me enche os olhos e deixa-me deitar: não é lágrima triste, é lágrima de saudade alegre, lágrima de nostálgica vontade.
Pois eu respirei algo na vida que me fez querer viver. Não viver só, mas viver da novidade do que é comum e viver da companhia que de tão boa é como se tornássemos quase um!
Resta um silêncio tal que só me enche os olhos e deixa-me deitar: não é lágrima triste, é lágrima de saudade alegre, lágrima de nostálgica vontade.
Pois eu respirei algo na vida que me fez querer viver. Não viver só, mas viver da novidade do que é comum e viver da companhia que de tão boa é como se tornássemos quase um!
sábado, 1 de dezembro de 2012
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Não quero compactuar pequenez.
Não espero pela estupidez comum deste mundo.
Não entendo metade de tudo que presencio.
"Não" é uma das palavras que mais invoco, mais do que todas as boas que eu poderia agarrar-me. Há dias que é o "não" que me salva do mundo e de tudo que eu poderia ser em mim mesma.
É o "não" que dou à morte da vida plena, o "não" que desejo ao ver a quantidade de mediocridade que há dentro e ao redor de tanta gente cuja lei é ser livre de tudo.
Eu digo não e só assim posso tentar continuar:
eu não espero pelo senhor deste mundo,
eu não quero morrer no tempo.
Não espero pela estupidez comum deste mundo.
Não entendo metade de tudo que presencio.
"Não" é uma das palavras que mais invoco, mais do que todas as boas que eu poderia agarrar-me. Há dias que é o "não" que me salva do mundo e de tudo que eu poderia ser em mim mesma.
É o "não" que dou à morte da vida plena, o "não" que desejo ao ver a quantidade de mediocridade que há dentro e ao redor de tanta gente cuja lei é ser livre de tudo.
Eu digo não e só assim posso tentar continuar:
eu não espero pelo senhor deste mundo,
eu não quero morrer no tempo.
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