"E o tempo se vai, mas algo eu sempre guardarei: o Teu amor que um dia eu encontrei!"

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Não quero compactuar pequenez.
Não espero pela estupidez comum deste mundo.
Não entendo metade de tudo que presencio.
"Não" é uma das palavras que mais invoco, mais do que todas as boas que eu poderia agarrar-me. Há dias que é o "não" que me salva do mundo e de tudo que eu poderia ser em mim mesma.
É o "não" que dou à morte da vida plena, o "não" que desejo ao ver a quantidade de mediocridade que há dentro e ao redor de tanta gente cuja lei é ser livre de tudo.
Eu digo não e só assim posso tentar continuar:
eu não espero pelo senhor deste mundo,
eu não quero morrer no tempo.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

só o amor.

Conhecia e encarava de perto um sentimento tão bonito que eu nem sabia nomeá-lo. Era, dentre tudo o que já vivi, a alegria mais bonita e, dentre tudo que já sonhei, a presença ausente mais querida. Até ali eu havia vivido tão pouco que acreditava não existir no mundo essa capacidade tão intensa de carregar minha mente, meus olhos e meu corpo à esfera de completa vontade de presença. Era ele, então, homem e menino, tinha tanta alegria que me transportava a um modo de vida que eu imaginava ser pura utopia (mas não era!), dizia tudo com seus olhos, mesmo em silêncio era todo sentimento e eu não me conhecia ... eu, a fraca, que nunca soube fazer verdade com alegrias.

Mas ele é todo menino e eu nunca soube ser adulta. Ele não sabe nada do futuro e eu gosto tanto de quem não sabe! Ele me leva ao morro mais escuro e tira meu medo mostrando-me que é no escuro que posso ver o céu de olhos abertos. Ele me abraça inteira e eu não tenho medo do mundo. Ele é intenso, tão intenso, que me comove: como pode ser tão forte?

E foi assim que sua ausência tornou-se presença, pois de tanto entendê-lo ele sou eu e consigo enxergar-me com ele: cantando, dançando, dormindo, vivendo, sorrindo, brincando, pensando e integralmente amando.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

medo

Tenho, sim, medo sem nome. Às vezes pareço sistematizar e, por tanto descrever, entender.
Mas não: tenho medo oculto, de coisa que não dá para dizer. Vejo que todo dia nasce o sol e eu ainda não entendo. Então ele morre e surge a lua (no meu sonho são duas) e ela ainda mais me confunde: qual o segredo de "ser"?

Daí eu finjo ser qualquer outra, satisfeita, sem nada querer.
Mas é mentira, não sou carbono, sou busca e por isso não consigo entender.
Sistematizo o que sinto e quando leio que amor não teme, frustro-me e sinto-me incapaz de algum dia saber: eu temo todas as noites e dias, temo pois nunca de fato entendi o que seja a vida, temo ainda mais porque sei que em "amar" o amor há uma enorme relativização do que posso chamar de "perder".

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Há dias assim que fico cheia de mim.
Desesperançosa, só de discurso saudoso.
Saudoso de espera -
porque eu gosto muito de algumas palavras
e esperar, mesmo com des-, é espírito puro!

Há noites assim que fico cheia de vazio,
porque estar cheia de mim é vazio puro!
Nem mesmo a espera, esperança,
a espera por minha herança,
herança cósmica, parece consolar-me.

Há tardes, manhãs, rápidos dias,
que quero apenas sair do tempo.
Não quero novamente falar em morte,
não é apenas isto.
É curiosidade pura, de espera não cumprida,
de realização plena nEle,
de completar a minha busca.

love-hope

Senti vontade de saber o que era o amor. Comecei sendo esperançosa, cheia de mudança, pensamento, expectativa e descoberta. E de repente eu estava perdendo, porque perder era prova de amor à verdadeira vida.

Perdi tudo: a esperança, a mudança, o pensamento, a expectativa e parecia não existir descoberta. E de repente eu estava aspirando amor, porque o amor era o único sentimento que me manteria viva.

Então senti vontade de me reerguer e, mais do que isso, vontade de saber o que é viver. Comecei, novamente, repensando o que seria o meu amor. Amor a Deus, ao próximo e a mim mesma. E de repente eu estava parada aqui e parece que me questionando para sempre: como irei, de fato, amar? Amar é ação forte, carregada de renúncia e falta de peso. E eu, como irei, de fato, amar?

Pergunto-me todo dia e sinto um gosto de esperança, mudança e descoberta: "Esperança, Ele está vindo para mim, o Salvador está vindo pela manhã!" - canta a música de fundo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

da tua voz.

Tudo que dizes é tão bonito, é tão só teu, que guardo em mim. E para não correr o risco de esquecer, até salvo: Com vc um dia chuvoso, no jardim da sua infância, é tao bom quanto o oásis no meio do deserto - escreveste.
Isso faz-me lembrar da voz, que é tão tua, que guardo em mim. E para não correr o risco de sofrer, até sonho, até crio e imagino: tua voz tão baixa, em qualquer lugar do mundo, não só no jardim de minha infância, ecoa em mim como preciso. É tua e minha, e me transporta: pequena amostra de um paraíso.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Mil e um dias em dois. O ciclo não fecha porque tem par e ímpar.
* 21/10

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Quando espero a chuva chegar
Tu vens com o teu vento
Quando espero tua voz estrondar
Tu vens com o silêncio
Eu espero em Ti
Embora sem saber
Como Tu dirás eu não sei
Mas esperarei

Quando espero o mar se abrir
Vejo os meus pés sobre as águas
Quando espero o fogo arder
Ouço a brisa suave

Mesmo sem saber como Tu dirás
Dentro de mim reinará a Tua paz
Que me faz saber
Que esperar em ti
É sempre caminhar

- Palavrantiga

domingo, 14 de outubro de 2012

Amor para mim é exatamente isto. Ser capaz de permitir que aquele que eu amo exista como tal, como ele mesmo. E isto supõe mortes em mim. Se eu permito que o outro se expresse tal qual ele é, isso é o mais pleno amor. Dar liberdade dele existir do meu lado como ele é. Este é o tal amor incondicional. Isto é muito difícil, porém a experiência é interessante demais – os erros e os acertos. Amor é muito interessante, é o embate. Pode sofrer de tudo menos de tédio porque não há como ter tédio. Amor é muito divertido, é muito complicado.

- Adélia Prado

Redenção

Estou com tanto medo de viver, de ver a vida de frente, de encarar o mundo desabando, que só tenho dois sentimentos intensos: medo mesmo e saudade.
Medo pois não sei dar outro nome. Medo de, como agora, ter sempre certeza da minha incapacidade frente à dor do mundo, frente à fome, frente ao abandono. Esse medo faz-me questionar: Por quê, Deus? E então eu imagino Deus perguntando-me de volta: Por quê pensas que é minha culpa? ... E logo imagino um Cristo menino, encarnado, transcendência pura em corpo, e tenho certeza que também não pode ser culpa dEle: Ele já chorou em vida!